Notícia Astronomia
 
Energia que vem do alto
Em 06/03/2009
 

Partindo do princípio de que, em uma hora há mais energia solar incidindo sobre a Terra do que toda a energia consumida pelas diferentes formas de vida do planeta em um ano, o homem precisa, mais do que em qualquer outra época, encontrar melhores maneiras de captar, armazenar e usar esse grande potencial energético de forma rentável.


O raciocínio foi compartilhado pelo professor Ian Forbes, do Northumbria Photovoltaics Applications Centre da Universidade de Northumbria, no Reino Unido, com diversos especialistas em energias renováveis e mudanças climáticas presentes no segundo dia do Workshop on Physics and Chemistry of Climate Change and Entrepreneurship.


Em sua palestra durante o evento, encerrado dia 27 de fevereiro, na sede da FAPESP, na capital paulista, Forbes abordou o potencial e os desafios para os próximos anos da pesquisa em energia solar fotovoltaica, que promove a conversão direta da luz do sol em eletricidade por meio da junção de semicondutores que absorvem a radiação.


O pesquisador destacou que o uso da energia fotovoltaica tem crescido rapidamente, impulsionado por diferentes mecanismos de suporte ao mercado, ainda que esse crescimento esteja muito abaixo do esperado. Apesar de a produção de energia elétrica em todo o mundo por meio de células fotovoltaicas ser de apenas 3 gigawatts em 2007, isso representou um aumento de 55% sobre a produção registrada no ano anterior


“Calcula-se que todos os continentes tenham a capacidade de suprir uma demanda de aproximadamente 18 terawatts de eletricidade, e o Brasil está incluído nessa estimativa, com uma capacidade de 200 a 250 watts por metro quadrado, um potencial extremamente elevado”, apontou.


No Brasil e em outros países da América do Sul, onde os níveis de incidência solar são maiores do que nos paí-ses da Europa, são grandes as oportunidades no setor, por isso, o especialista sugeriu que a capacitação tecnológica e industrial em território nacional comece a ser desenvolvida imediatamente para não perdê-las de vista.


“O Brasil tem o dobro dos níveis de insolação da Alemanha, país que abriga o maior mercado no mundo desse tipo de energia por produzir mais de 40% de sua eletricidade a partir de fontes fotovoltaicas. Mas os principais desafios que ainda devem ser vencidos são a redução de custo da energia fotovoltaica e o aumento da eficiência dos materiais, visando à sustentabilidade a longo prazo”, disse Forbes.