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Ibraim Gustavo

Jornalista, pós-graduado em Marketing, MBA em Comunicação e Mídia, e MBA em Empreendedorismo e Inovação. Empreendedor, é sócio-fundador da Freestory – A primeira plataforma do Brasil de autodescrição com storytelling, IA e IoT. Com formação em Profissões do Futuro (O Futuro das Coisas) e no Programa de Capacitação da Nova Economia (Startse). É também músico, escritor, roteirista e storyteller.

Entre Linhas e Vozes - Episódio 17: De gota em gota, Cafeza amplia suas possibilidades no mercado de drip coffee

Fábrica tecnológica localizada no Circuito das Águas Paulista é uma das maiores do país no setor

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Entre Linhas e Vozes - Episódio 17: De gota em gota, Cafeza amplia suas possibilidades no mercado de drip coffee
Jornalista Ibraim Gustavo (esq.) em visita à Cafeza, ao lado de João Barboza (centro) e do barista Diego Silva (dir.) | Divulgação
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Ao olhar para cima, uma enorme extensão azul toma conta da visão, que é alternada com imensas estacas vindas do alto em direção ao chão. Pessoas indo e vindo, de todas as nações, a fim de conhecer a grande ascensão que impera no país. O sol que reina do lado de fora do grande salão faz oposição à escuridão que invade a noite do outro lado do mundo, no interior do Brasil, em Socorro, em casa. Ao chegar ao aeroporto Internacional de Xangai Pudong, na China para resolver questões relacionadas ao seu antigo empreendimento, João Barboza foi surpreendido com um questionamento sobre os cafés brasileiros. Seus anfitriões, historicamente apaixonados por chás, começavam a se interessar por outra bebida, vinda da África mas com identidade brasileira. “Àquela altura, eu não entendia nada sobre café, além de beber o que preparava para mim todos os dias”, comentou. 

Voltando para casa, Barboza, que estava em negociação para a venda de parte de seus ativos na empresa que fundou anos antes, tinha a intenção de finalizar o processo e retirar-se da vida laboral por algum tempo. O período sabático é um sonho para muita gente, especialmente para aqueles que passam anos empreendendo, enfrentando riscos e vivendo uma verdadeira montanha-russa profissional, com altos e baixos que, por vezes, podem levar o indivíduo à beira da loucura.

Entretanto, percebendo os sinais, João Barboza compreendeu que a vida estava provocando o inquieto empreendedor a se arriscar em uma nova oportunidade. Foi aí que ele começou as primeiras buscas sobre cafés, entrando em contato com amigos e profissionais que pudessem orientar acerca da produção da bebida. Seu primeiro alvo foram as cápsulas, pela praticidade e alta tecnologia agregada em sua fabricação - dois fatores que pesam muito na sua rotina diária. Contudo, o empresário foi aconselhado a evitar esse segmento, e investir conhecimento e pesquisa em outra fonte: o drip coffee.

“Posto que trabalharíamos com drip coffee, sentei com minha equipe e definimos os primeiros passos. A parte mais difícil para traduzir ao público o conceito do que estávamos criando era a criação da marca, com um nome que marcasse exatamente nosso intuito. Após um bom tempo de reflexão, meus pensamentos me levaram à origem do café e à minha própria origem. Sou filho de agricultores, que trabalhavam com café quando eu era criança. E quando ia com eles para a lavoura, nunca dissemos que estávamos indo ao cafezal, mas, sim, ao cafezá. Questionei ao time de marketing quanto isso faria sentido, ao que me responderam ser uma ótima ideia para uma marca de cafés com tecnologia, mas que respeita o homem do campo”. 

Entretanto, o ponto de suspeição que levantaram foi se o nome teria uma pronúncia possível no exterior. Para quem está iniciando um negócio novo, a pretensão de exportar pode até parecer pura ambição. Mas para quem sabe que pode construir algo diferente e ter sucesso, não se trata de cobiça, antes, de estratégia de mercado e uma preocupação válida para o futuro. “Nossa opção foi por manter o tradicional cafezá, sem o acento agudo, transformando a palavra em uma paroxítona, ou seja Cafeza (pronuncia-se Ca-fê-za)”.

Ponto de virada

30 de outubro de 2022. 19h56. Com 98,91% das urnas apuradas, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a vitória de Luís Inácio Lula da Silva como presidente do Brasil. A notícia fez alterar os planos de João Barboza: “A aposta de muita gente era de que o outro candidato poderia sagrar-se vencedor na disputa. Estava tudo pronto, tudo encaminhado. Daríamos início às atividades em 1º de janeiro de 2023, mas com o resultado das urnas, resolvi deixar o plano para depois”. 

O leitor se lembra de que Barboza tinha o desejo de tirar um ano sabático e descansar, certo? Pois bem, foi exatamente o que ele fez, alterando os planos de dar início à fábrica de drip coffee e partindo para uma viagem interior profunda e investigativa de si mesmo. Após anos de empreendedorismo e trabalho, João Barboza compreendeu que poderia, finalmente, descansar e colocar as ideias em ordem, enquanto aguardava para saber como o país se comportaria em seu cenário macroeconômico a partir do próximo ano.

Passado o período sabático, e com tudo normalizado, era hora de voltar ao trabalho. Mas, agora, com a mente mais aliviada e aguçada. Foi então que, em janeiro de 2024, os trabalhos de produção de drip coffee da Cafeza tiveram início, e nunca mais pararam. Pelo contrário, de lá para cá, a cada ano novos investimentos são feitos, e a expansão, orgânica, é visível a cada nova etapa.

Atualmente, a Cafeza possui um extenso parque fabril logo na entrada do município de Socorro, na região conhecida como Circuito das Águas Paulista, no interior de São Paulo. Em maio de 2026, os cafés especiais da região foram reconhecidos com o selo de Indicação Geográfica (IG), no segmento Indicação de Procedência (IP), do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), comprovando que a produção regional possui aspectos que aumentam a qualidade dos grãos, como dulçor pronunciado, acidez e corpo equilibrados e entrega limpa na xícara. Socorro, aliás, que é um dos territórios com maior extensão de produção cafeeira do Circuito.

90% da produção é mecanizada, com o uso de alta tecnologia para evitar a manipulação humana, atenuando, assim, as possibilidades de contaminações cruzadas e outros fatores de risco. A visita ao maquinário, que recebe inspeção regularmente, é, por si só, um tour que merece atenção e divulgação, especialmente por se tratar de tecnologia agregada em um pequeno município do interior do estado. 

80+

Apesar de possuir um trabalho de valorização dos cafés especiais produzidos no Circuito das Águas Paulista, a Cafeza não trabalha apenas com esses grãos, possibilitando ao consumidor uma experimentação amplificada, com uma imersão ativa em diversos outros mundos do café especial, e todos acima de 80 pontos na classificação de qualidade da Specialty Coffee Association (SCA). Para isso, a empresa, uma das maiores do país no ramo de drip coffee, criou diversas linhas com perfis sensoriais distintos, facilitando a experiência do cliente.

A linha Produtores Especiais do Brasil, por exemplo, traz o famoso Café do Jacu (86,5 pontos SCA), um dos mais caros do mundo atualmente, produzido na região das Matas de Minas; o Geisha (88,6 pontos SCA), da Fazenda São João da Boa Vista, da região da Alta Mogiana; o Catuaí (88,4 pontos SCA), do Sítio Pinheirinho, da região da Mantiqueira.

A marca possui também outras linhas, como a Multigrãos, provenientes da agricultura familiar, a Produtoras Mulheres, que incentiva a produção rural e o empreendedorismo feminino no Brasil, e a linha Exótico, com os cafés orgânicos e os grãos da região Vulcânica, além do descafeinado, para agradar a todos, a qualquer hora do dia. Ou da noite.

“Mas para os verdadeiros apaixonados por café, e para aqueles que desejam se aprofundar no universo do café especial com alguns dos melhores do mundo, apresentamos ao público a linha Cup Of Excellence, a premiação e o concurso de qualidade para cafés especiais mais importante e prestigiado do mundo. Criado em 1999, o evento é organizado pela Alliance for Coffee Excellence (ACE) em parceria com entidades locais, como a Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) no Brasil”, conta Barboza.

E por falar em viajar para outros destinos, o kit Seleção Mundo leva uma experiência diferenciada ao paladar. Com cafés originários de 10 países diferentes do planeta, essa linha faz um tour mundial por alguns dos melhores e mais reconhecidos cafezais do mundo: Etiópia, Colômbia, Ruanda, Quênia, Peru, El Salvador, Honduras, Indonésia, China e, claro, Brasil.

Outros voos

A fábrica de drip coffee segue com sua atuação no Circuito e em todo o território nacional, com vendas de drips e kits pelo site. Porém, para ser fiel ao seu perfil empreendedor expansivo, João Barboza, acostumado a atravessar o mundo para conhecer novidades tecnológicas e inovações de mercado, resolveu atravessar a rua. Do outro lado da rotatória, o portal de entrada da cidade de Socorro ostenta uma cápsula envidraçada, vinda diretamente da China, onde está instalada a loja de fábrica da marca, que é preparada para se tornar a Cafeza Experience. Tecnologia, negócios, networking e… café. Da lavoura à xícara, na Cafeza a bebida passa antes pelas máquinas, pelos softwares e até por robôs para responder com uma experiência de alto valor agregado ao consumidor.

É lá onde trabalha a Geisha, colaboradora fiel de Barboza, que atende ao cliente sempre com um sorriso no rosto e uma voz amigável. Se alguém tem dúvida sobre qual café escolher, Geisha está pronta para indicar a melhor bebida, a depender do perfil do cliente, da hora do dia e da ocasião. E tudo isso é feito apenas “conversando” com a Inteligência Artificial instalada no toten de recepção, por onde acontecem as orientações, o pedido é feito e pago, antes de o cliente se dirigir ao balcão para a retirada da bebida. 

“O que queremos é que quem prove nosso café tenha uma experiência integral e 100% interativa, tanto com nossa loja, quanto com nossos produtos, aproveitando ao máximo os nossos cafés. Por isso, orientamos até mesmo como o consumidor deve sentir o drip em suas mãos, percebendo uma leve sensação almofadada, fruto do Nitrogênio injetado nas embalagens para preservar o frescor e as características sensoriais do café pré-moído. Depois, abrindo o pacote e sentindo o aroma que toma conta do ar e, por fim, o preparo da bebida, com indicações de receitas para cafés mais intensos, mais suaves, equilibrados e o mais belo e artístico de todos, a receita especial, que é a do gosto pessoal de cada um”, relata Barboza. 

Acredito que no momento em que vivemos, é possível já ter compreendido que beber café não se trata apenas de sorver goles da bebida mais amada pelos brasileiros. E é por isso mesmo que a Cafeza busca entregar uma vivência diferenciada para cada consumidor. A praticidade do drip coffee faz, justamente, esse convite: ao acabar o seu primeiro café, basta esquentar mais um pouco de água, abrir o drip e, voilà! Está pronto para brindar.

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