Henrique Vieira Filho
Henrique Vieira Filho

Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “ReArte” (Certificado Ministério da Cultura), Museólogo no Museu Rearte (reconhecido pelo IBRAM/Ministério da Cultura), gestor Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som/SP), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), historiador, professor de artes visuais, pós-graduado em Psicanálise, em perícia técnica sobre artes e em Biblioteconomia.

Colunas

Direto aos Finalmentes: O Politiquês da Ficção

A crônica explora com humor a sátira política na ficção brasileira — relembrando tipos inesquecíveis como Odorico Paraguaçu, Valfrido Canavieira e João Plenário — como um antídoto leve para a tensão do período eleitoral. Em tom descontraído, o autor faz a transição da "politagem fictícia" para uma eleição 100% poética: a votação popular do Ecossistema Cultural ReArte, que convida o público a escolher os melhores filmes exibidos em 2026 para uma reapresentação especial em dezembro.

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Direto aos Finalmentes: O Politiquês da Ficção
“Os grandes diretores dos filmes exibidos no Ecossistema Cultural ReArte aguardam o público escolher os melhores do ano” - Ilustração: Henrique Vieira Filho
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Eleição é coisa séria. Tão séria, mas tão séria, que se a gente não colocar uma boa pitada de humor na mistura, a pressão sobe e o fígado não aguenta o rojão dos palanques. Quando o clima esquenta na vida real, a ficção brasileira sempre deu um jeito de socorrer a pátria com o melhor dos remédios: o riso descarado.

Quem não rolou de rir com Odorico Paraguaçu, o inesquecível prefeito de Sucupira? Dono de uma oratória tão barroca quanto absurda, ele criou o lendário "Odoriquês" para impressionar o eleitorado e atropelar os adversários. Quem não se recorda do seu bordão “vamos deixar de lado os entretantos e vamos direto aos finalmentes"? Odorico atacava a oposição acusando-a de "prafrentismo" e "atrasismo", enquanto jurava que o novo cemitério traria a "defuntice" necessária para o avanço da cidade.

Se der mais um passo na galeria dos comícios imaginários, você topa com o folclórico Valfrido Canavieira, criação genial de Chico Anysio na fictícia Chico City. O roteiro do seu discurso era uma obra-prima do cinismo: começava com a voz embargada, e engatava promessas faraônicas, desde portos marítimos em cidades sem mar e nem rio, até aeroportos internacionais para jumentos. Inflamava a multidão com um amanhã paradisíaco e, no auge do delírio popular, arrematava com o debochado choque de realidade: "Palavras são palavras, nada mais que palavras".

E para fechar essa trindade da picaretagem performática, temos o imortal João Plenário. De terno desalinhado e uma tremenda cara de pau, ele iniciava suas falas com termos rebuscados para enrolar o interlocutor e não responder a nada. Ao final da explicação, dava de ombros e soltava o seu bordão inesquecível: ""Entendeu? Nem eu!".

Pois bem, meu caro leitor, para dar uma trégua na tensão das urnas e aliviar os ânimos nesta época, eu venho avisar que aqui no Ecossistema Cultural ReArte nós também teremos eleições! Mas, pode respirar fundo: a nossa disputa é 100% poética e sem perigo de brigas.

Nos próximos meses, abriremos a votação popular para que a nossa comunidade escolha os melhores filmes que exibimos no nosso cinema ao longo de 2026. Os títulos mais votados e aclamados pelo público ganharão uma reapresentação especialíssima na nossa programação de dezembro.

Prometo que por aqui não haverá discursos em "Odoriquês", nem aeroportos para jumentos e muito menos promessas que o vento leva. Apenas o bom e velho cinema reunindo a nossa gente. Prepare o seu voto e venha participar com a gente — afinal, no escurinho da nossa sala, a única coisa que vence por unanimidade é a arte!

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