Junte-se à nossa lista de assinantes para receber as últimas notícias, atualizações e ofertas especiais diretamente na sua caixa de entrada
Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “ReArte” (Certificado Ministério da Cultura), Museólogo no Museu Rearte (reconhecido pelo IBRAM/Ministério da Cultura), gestor Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som/SP), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), historiador, professor de artes visuais, pós-graduado em Psicanálise, em perícia técnica sobre artes e em Biblioteconomia.
Às vezes, o silêncio aqui no Ponto de Cultura ReArte - Residência Artística é preenchido pelo barulho ensurdecedor de um passado que se recusa a sumir.
Estou cercado por centenas de fotografias do inesquecível “pracinha” serrano, Ari Vieira (meu tio); nelas, as memórias da 2a Guerra Mundial, contrastam com a felicidade carnavalesca, em imagens que mostram ele, sua esposa e filha desfilando sorrisos em fantasias impecáveis nos antigos bailes de salão da nossa cidade.
Hoje em dia, muitos reclamam de um Carnaval "morno", sentindo falta daquela Serra Negra que parava para ver os carros alegóricos.
Espero não estar delirando, mas, tenho lembranças surreais de uma tartaruga gigante modelada sobre um caminhão ou o imponente King Kong que parecia observar a multidão do alto de sua majestade de papelão e ferro.
Como museólogo e historiador, percebo que a minha função não é apenas lamentar o que se perdeu, mas garantir que essas imagens não virem poeira.
Recentemente, em uma dessas conversas que valem por décadas de estudo, com o Nestor Leme — nosso incansável guardião da memória local —, falamos sobre o desafio de salvar as fitas em Super 8. Para quem não está familiarizado com o termo, este era o formato de cinema doméstico que reinou antes do digital; pequenas bobinas de filme que guardam a luz de momentos que o tempo já apagou.
Essas fitas são traiçoeiras: o material químico se degrada, as cores desbotam e o projetor torna-se uma peça rara de museu. Digitalizá-las para os padrões atuais não é um capricho tecnológico, mas um resgate de sobrevivência para que as novas gerações saibam que o chão da nossa cidade já tremeu sob o peso de desfiles grandiosos.
Para poder resgatar estes tesouros, falta um “pequeno detalhe”: ter verba para comprar o equipamento que faz a conversão digital… Rezo para São Paulo Gustavo e Santo Aldir Blanc para que novos editais culturais caiam do céu e possamos concorrer às verbas, que, apesar de mínimas, já ajudam!
Ao transformar essas fotos amareladas e filmes trêmulos em arquivos binários — aquela linguagem de computadores que permite que o passado viva na internet —, estamos, na verdade, dando um novo palco a uma época em que a criatividade humana não tinha medo de ser monumental.
A memória, quando bem cuidada, é uma festa que nunca termina!

