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Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “ReArte” (Certificado Ministério da Cultura), Museólogo no Museu Rearte (reconhecido pelo IBRAM/Ministério da Cultura), gestor Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som/SP), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), historiador, professor de artes visuais, pós-graduado em Psicanálise, em perícia técnica sobre artes e em Biblioteconomia.
Tenho uma teoria muito particular sobre a fotografia moderna: noventa por cento das imagens que habitam o celular, nós clicamos, olhamos e esquecemos. E há, evidentemente, a fotografia em que o maior protagonista é o nosso próprio dedão, ocupando solenemente um dos cantos da lente. Mas, vez ou outra, acontece algo diferente: a gente olha… Olha mesmo! E é justamente aí que começa a diversão!
Foi dessa provocação que nasceu a programação de outubro do Ecossistema Cultural ReArte, com o tema “Além do Olhar”. A proposta é lembrar que existe uma enorme diferença entre simplesmente ver uma imagem e descobrir o que existe por trás dela.
Uma fotografia, por exemplo, pode ser apenas uma fotografia. Ou pode virar arte. Ou memória. Ou história. Ou cinema. Ou até uma boa desculpa para discutir vampiros numa segunda-feira à noite.
É o que acontece na exposição “Da Luz à Tela: Histórias por Trás da Imagem”, que pode ser visitada de 7 a 28 de outubro. Ali, fotografias e pinturas a óleo ou acrílicas colocam em conversa maneiras diferentes de interpretar a mesma imagem.
A fotografia registra. A arte pergunta. E, entre uma coisa e outra, aparece aquilo que talvez seja a parte mais interessante: a possibilidade de cada pessoa enxergar algo que não estava necessariamente na imagem original.
Nesse passeio pelas imagens, também entram alguns livros de arte, entre eles os meus, dividindo espaço nas páginas com trabalhos de nomes como Sebastião Salgado e Boris Kossoy. Confesso que, nesse caso, o fotógrafo e o artista que escreve a crônica têm uma pequena vantagem: podem escolher cuidadosamente a fotografia antes de correr o risco de estragá-la com um dedão.
Mas, a imagem não precisa ficar parada na parede.Nas noites de quarta-feira, às 19 horas, ela ganha movimento no Cine ReArte, com a mostra “Luz e Enquadramento”. E outubro trouxe uma novidade especialmente agradável: um novo sistema de projeção, telão e som, que permite apreciar os filmes com aquela sensação deliciosa de que, por algumas horas, estamos em um cinema “de verdade”.
Começamos, no dia 7, viajando pelas paisagens de Brasil Visto do Alto. No dia 14, descemos para as águas de Pantanal: Planície das Águas. No dia 21, entramos no sofisticado jogo de mistério de Charada. E, para fechar o mês, no dia 28, chegamos à delicadeza em preto e branco de Luzes da Cidade, de Chaplin.
Voltando ao tema da fotografia, existe sempre aquele momento em que alguém olha para a própria foto e pergunta: — Mas por que ficou assim? Normalmente, a resposta envolve iluminação, enquadramento, foco e, em alguns casos, o fotógrafo estava com o dedo na frente da câmera.
Para tentar reduzir esse último fenômeno, no dia 24 de outubro, das 14h30 às 18h30, teremos a oficina gratuita “Fotografando com Celular”, conduzida pelo fotógrafo Marcelo Andrade, em parceria com o Pontos MIS - Museu da Imagem e do Som, onde aprenderemos, de maneira prática, um pouco mais sobre foco, ISO, enquadramento e os muitos recursos que escondemos dentro do aparelho que usamos principalmente para mandar “bom dia” em grupos de família.
E o olhar vai além da fotografia! No começo do mês, a criançada terá seu próprio exercício de imaginação com o Além de um Livrinho, em uma atividade especial do Dia das Crianças. Afinal, antes de aprender a fotografar o mundo, é bom aprender a inventá-lo!
Para os adultos, o Além de um Livro volta no dia 23 em clima de Halloween. E aqui temos uma oportunidade de cometer uma pequena injustiça histórica: importar bruxas, monstros e outras criaturas de fora quando temos, bem mais perto, um especialista nacional em assombrações; O Saci-Pererê, naturalmente.
Já o Clube de Cultura Pop continua suas reuniões nas segundas-feiras, às 19 horas. Depois do suspense do anime Another, a programação ainda reserva uma sessão de cinema no dia 19 e, no dia 26, uma incursão pelo universo de Vampiro: A Máscara.
Ou seja: começamos o mês tentando descobrir como enxergar melhor e terminamos discutindo criaturas sobrenaturais! Talvez seja justamente esse o sentido de “Além do Olhar”. Não se trata apenas de enxergar mais longe, mas de permitir que uma imagem nos conduza para outros lugares.
Uma fotografia pode levar a uma pintura. Uma pintura pode levar a um livro.Um livro pode levar a uma conversa. Uma conversa pode lembrar uma história. Uma história pode virar filme.E um filme pode terminar despertando aquela vontade irresistível de contar para alguém: “Você reparou naquela cena?”
É isso que tentamos fazer aqui, na Rua São Vicente de Paulo, 108, no coração de Serra Negra: reunir Ponto de Cultura, Museu, Biblioteca, Cineclube e Ponto de Memória no mesmo espaço, gratuitamente, para que a Cultura não fique apenas esperando ser contemplada, mas possa participar da vida cotidiana (acompanhe em www.rearte.com.br).
E, se depois de tudo isso você voltar para casa e continuar fotografando o prato de comida com a sombra do próprio braço, não se preocupe. A Arte não exige perfeição. Mas, por favor.tire o dedão da frente da lente!



