Henrique Vieira Filho
Henrique Vieira Filho

Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “ReArte” (Certificado Ministério da Cultura), Museólogo no Museu Rearte (reconhecido pelo IBRAM/Ministério da Cultura), gestor Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som/SP), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), historiador, professor de artes visuais, pós-graduado em Psicanálise, em perícia técnica sobre artes e em Biblioteconomia.

Colunas

O Museu Onde o Saci Conversa com a Maria Fumaça

De forma leve e bem-humorada, Henrique Vieira Filho desmistifica o conceito engessado de patrimônio cultural ao apresentar as atrações da Jornada do Patrimônio no Museu ReArte (sábado, 08/08). A crônica passeia pelas audácias do artista Naïf Cid Serra Negra, pela nostalgia das ferrovias e pela preservação das águas com a figura mística da Iara, convidando o público a vivenciar a programação mensal gratuita do museu.

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O Museu Onde o Saci Conversa com a Maria Fumaça
Exposição de Artes Visuais – Trilhos da Memória: A Arte de Cid Serra Negra e Henrique Vieira Filho
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Quando a palavra "patrimônio" entra na conversa, muita gente já imagina casarões caindo aos pedaços, relatórios burocráticos de quinhentas páginas ou um curador de terno e gravata espanando a poeira de livros antigos. 

Se foi isso que lhe veio à cabeça, permita-me pedir desculpas em nome da categoria. Nós, historiadores e museólogos, às vezes nos levamos a sério demais e esquecemos de contar o principal: patrimônio, na verdade, é uma grande festa!

Gosto de pensar nele não como um arquivo empoeirado, mas como aquele parente folclórico, divertido e completamente sem filtro que aparece no almoço de domingo trazendo histórias tão improváveis que ninguém sabe onde termina a verdade e começa a lenda.

Quer um exemplo? O mestre Cid de Abreu, nosso eterno Cid Serra Negra. Só a genialidade espontânea da arte Naïf seria capaz de colocar o Saci Pererê, com gorro e uma perna só, dentro de uma pintura da Igreja de São Benedito! Às vezes fico imaginando a conversa dele com o padre. Entre a reverência e a travessura, Cid conseguiu mostrar que o sagrado e o imaginário popular não brigam; eles conversam. E é justamente nessa conversa que a identidade de um povo encontra sua voz.

É esse espírito que queremos celebrar neste sábado, dia 8 de agosto, quando o Museu ReArte abrirá as portas para mais uma Jornada do Patrimônio. Em homenagem aos mais de 100 anos de Cid Serra Negra, sua obra dialogará com minhas próprias telas, mostrando que a memória continua produzindo novas histórias.

E, para quem gosta de cinema, exibiremos o lindo curta-metragem sobre o artista , que tem até versão audiodescrição e tradução em LIBRAS. Afinal, patrimônio só cumpre sua missão quando pode ser vivido por todos!

E a nossa bagunça cultural vai além! Quem caminha hoje por Serra Negra talvez nem imagine que, sob o asfalto e terra, ainda repousam os trilhos da velha Maria Fumaça. Muito antes das mensagens instantâneas, ela era o verdadeiro WhatsApp do interior paulista. Não transportava apenas café; levava cartas de amor, notícias da capital, sonhos de imigrantes e o ritmo acelerado de um Estado que aprendia a crescer.

Para homenagear esse abraço de ferro entre pessoas e paisagens, teremos mais cinema, com mini-curtas-metragens sobre as ferrovias, resgatando histórias dos trilhos e dos trabalhadores que ajudaram a construir o Circuito das Águas.

E já que estamos falando de raízes, temos sempre que enaltecer a nossa maior riqueza: as águas! Por isso, a Sereia Iara também foi convidada para a festa. Ela aparece em um videoclipe e em um espetáculo lírico lembrando que proteger o patrimônio de Serra Negra significa, antes de tudo, cuidar de suas águas minerais, para que as futuras gerações possam conhecê-las como realidade, ao invés de apenas como lembrança.

É exatamente isso que fazemos no Ecossistema Cultural ReArte. Entre museu, biblioteca, ponto de cultura, ponto de memória, ponto MIS e residência artística, nosso trabalho não é guardar cinzas, mas alimentar a chama. Catalogamos, digitalizamos, escrevemos livros, produzimos filmes, promovemos exposições e, se for preciso, fazemos até circo! Tudo para que a memória serrana permaneça viva, acessível e em constante movimento.

Por isso, passe o café e venha nos fazer companhia neste sábado, 8 de agosto, das 10 às 11h30) Destaque Jornada do Patrimônio — Exposição de Artes Visuais – Trilhos da Memória: A Arte de Cid Serra Negra e Henrique Vieira Filho + Exibição do Curta Cid Serra Negra, Videoclipe e Minidocs Ferroviários.

Traga a família, os amigos ou simplesmente a curiosidade.

A locomotiva da memória já está na plataforma, o Saci encontrou seu lugar no altar, a Iara continua vigiando nossas águas e o ingresso, como sempre, é inteiramente gratuito.

Venha descobrir que patrimônio não é aquilo que ficou no passado. É aquilo que ainda faz a nossa história acontecer.

Reserve seu lugar via Whatsapp 11 982946468 e saiba mais em www.rearte.com.br.

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