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Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “ReArte” (Certificado Ministério da Cultura), Museólogo no Museu Rearte (reconhecido pelo IBRAM/Ministério da Cultura), gestor Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som/SP), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), historiador, professor de artes visuais, pós-graduado em Psicanálise, em perícia técnica sobre artes e em Biblioteconomia.
Todo mundo conhece alguém que, ao contar um “causo”, se perde no meio do caminho e deixa a plateia bocejando. O que salva essa tragédia social é o velho e bom roteiro. A palavra vem do latim rupta: a rota aberta no braço, rasgando o mato a golpes de facão. No mar, virou diário de bordo; nas artes, é a bússola que impede a história de virar um devaneio sem rumo.
O fascinante é que a humanidade segue os mesmos trilhos mentais há milênios. Carl Jung chamou isso de "inconsciente coletivo" (o conhecimento ancestral compartilhado por toda a humanidade) e "arquétipos" (são padrões de comportamento e de personalidade que se assemelham nas histórias e sonhos de todas as culturas, de todos os tempos e lugares).
Como exemplos bem conhecidos, podemos citar o mentor sábio, o herói, o bufão, enfim, personagens que conquistam nossos corações justamente por habitarem a imaginação de todos.
Por sua vez, o estudioso de mitos, Joseph Campbell, percebeu que toda lenda do planeta segue a mesma receita, que ele chamou de "Jornada do Herói": o sujeito sai do seu sossego, recebe um chamado, reluta, encontra um mentor, encara o perigo e volta para casa com a solução do problema.
Quando George Lucas escreveu Star Wars, só seguiu a cartilha: o jovem Luke sai da roça espacial, acha Obi-Wan, encara o vilão e salva o dia. Hollywood bebe nessa fonte até hoje porque essa estrutura não é sobre naves ou feitiços; é sobre a gente tentando amadurecer diante dos tropeços da vida!
No Brasil, nosso mapa arquetípico ganha o barro e a ginga da terra através dos "encantados". Do latim incantatus ("tocado pela magia cantada"), a nossa versão é bem diferente da europeia. Lá fora, o príncipe vira sapo por castigo e chora até ganhar um beijo. Por aqui, o encantamento não é penalidade, é bênção eterna e sagrada.
.Nossos seres não passam pela morte biológica; mudam de dimensão. O Curupira e a Caipora nunca tiveram certidão de nascimento: brotaram da própria mata para expulsar garimpeiro. Já a Iara, guerreira traída pela família e jogada no rio, renasceu soberana das águas!
É por isso que chamar essas entidades de "folclore", termo inventado pelos ingleses do século XIX para catalogar "curiosidades", vem sendo discutido. Experimente dizer a um católico que os santos são "simpáticos personagens do folclore europeu" para ver o tamanho do problema... Se a tradição dos outros é fé, a dos povos nativos também merece o mesmo respeito.
Afinal, seja na mitologia grega, nas telas do cinema ou nos mistérios da nossa mata, a verdade é uma só: continuamos todos buscando um bom roteiro para entender a aventura de estarmos vivos!
Em tempo e tudo a ver: aqui, em Serra Negra, receberemos o escritor e roteirista André Pacano, que reuniu essas presenças ancestrais em seu livro A Lenda: A Origem dos Guardiões e ministrará uma oficina gratuita de elaboração de roteiros com base na Jornada Heróica.
Neste mês de setembro, todas essas rotas, tintas e narrativas convergem no Ecossistema Cultural ReArte com a Mostra “Jornadas Encantadas”: exposição de pinturas, cinema, rodas de literatura, debates e a oficina imperdível para desvendar como se estrutura uma história inesquecível.
Acompanhe a programação em www.rearte.com.br e venha se encantar com a gente!



