Ibraim Gustavo
Ibraim Gustavo

Jornalista, pós-graduado em Marketing, MBA em Comunicação e Mídia, e MBA em Empreendedorismo e Inovação. Empreendedor, é sócio-fundador da Freestory – A primeira plataforma do Brasil de autodescrição com storytelling, IA e IoT. Com formação em Profissões do Futuro (O Futuro das Coisas) e no Programa de Capacitação da Nova Economia (Startse). É também músico, escritor, roteirista e storyteller.

Serra Negra

Café do Circuito das Águas Paulista recebe selo de Indicação Geográfica em cerimônia em Serra Negra

Evento reuniu centenas de pessoas no Auditório Paulo Egydio Martins nesta semana 

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Café do Circuito das Águas Paulista recebe selo de Indicação Geográfica em cerimônia em Serra Negra
Produtores rurais, baristas, coffee lovers, jornalistas e representantes públicos participaram do evento realizado no Centro de Convenções | Sebrae-SP
Café do Circuito das Águas Paulista recebe selo de Indicação Geográfica em cerimônia em Serra Negra
Café do Circuito das Águas Paulista recebe selo de Indicação Geográfica em cerimônia em Serra Negra
Café do Circuito das Águas Paulista recebe selo de Indicação Geográfica em cerimônia em Serra Negra
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O café produzido no Circuito das Águas Paulista já tem selo oficial de Indicação Geográfica (IG). A concessão, na modalidade Indicação de Procedência (IP), foi feita pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) em 2 de junho de 2026 e abrange cafés em grão cru e industrializados, torrados em grão ou moídos, produzidos nas nove cidades da região: Águas de Lindóia, Amparo, Holambra, Jaguariúna, Lindóia, Monte Alegre do Sul, Pedreira, Serra Negra e Socorro. Com o reconhecimento, o café do Circuito passa a integrar o grupo das 24 Indicações Geográficas brasileiras do setor cafeeiro.

A conquista tem raízes profundas na história da região. A cafeicultura local começou no século XIX, quando produtores vindos de Campinas identificaram condições favoráveis nas encostas da Serra da Mantiqueira. Amparo e Serra Negra chegaram a figurar entre os principais polos produtores do país, impulsionados pela expansão ferroviária da época. Hoje, a produção é conduzida pela sexta geração de famílias cafeicultoras da região.

Nesta quarta-feira, 2 de setembro, a conquista foi celebrada em cerimônia no Auditório Paulo Egydio Martins, no Centro de Convenções de Serra Negra. O evento foi realizado pela ACECAP (Associação de Produtores de Cafés Especiais do Circuito das Águas Paulista) e pelo Sebrae-SP, com apoio da Secretaria Municipal de Turismo e Desenvolvimento Econômico de Serra Negra e do Consórcio Intermunicipal Para o Desenvolvimento do Pólo Turístico do Circuito das Águas Paulista (CICAP), e reuniu mais de 160 pessoas, entre representantes do Sebrae-SP e do poder público, além de produtores de café da região. 

“Hoje é um momento de celebração, mas também de olhar para os próximos passos. A região já tem uma forte vocação empreendedora, uma governança articulada e uma história construída por gerações de produtores. A conquista da Indicação Geográfica reforça algo que já sabíamos: o café do Circuito das Águas Paulista é único, tem identidade e atributos que agregam valor ao produto”, afirma Nelson Hervey Costa, diretor-superintendente do Sebrae-SP. “Vamos fazer com que esse café, que já é motivo de orgulho para toda a região, seja cada vez mais conhecido no Brasil e no mundo”, completa.

Secretário especial de projetos estratégicos do estado de São Paulo, Guilherme Afif Domingos afirmou que a conquista da IG é o reconhecimento de uma história construída ao longo de gerações: “O café faz parte da identidade desta região e ajudou a moldar seu desenvolvimento, com o trabalho de pequenos e médios produtores que, há décadas, constroem essa tradição. Mais do que um selo, a Indicação Geográfica valoriza essa origem, diferencia o produto e preserva uma história que agora ganha ainda mais força. O desafio é transformar esse reconhecimento em valor, levando a identidade e a qualidade do café do Circuito das Águas Paulista para novos consumidores e mercados”.

A programação contou com degustação dos cafés especiais preparados pelos baristas Danilo Fávero e Jesse Zerlin (Socorro); e Diego Silva e Angélica Gomes (Amparo), e com uma mostra criada especialmente por artistas plásticos da região: Guida Gerosa e Henrique Vieira Filho (Serra Negra), Rosângela Politano (Socorro) e Sandra Scavassa (Tuiuti).

Dois séculos de história

Uma das defesas para a solicitação da IG junto ao INPI foi o longo caminho que os cafés da região atravessaram até alcançarem premiações e reconhecimento nacional: "A cafeicultura da nossa região tem cerca de 200 anos de história e tradição", destacou Sílvia Fonte, cafeicultora e presidente da ACECAP. Ela fez questão de reconhecer a importância do Sebrae-SP nessa conquista: “O Sebrae-SP teve um papel fundamental nessa caminhada. Foi uma das entidades que acreditou no nosso sonho, segurou a nossa mão e nos ajudou a transformar uma ideia em um projeto concreto, oferecendo conhecimento, capacitação e o apoio necessário para chegarmos até aqui.

O turismo teve papel direto nesse caminho. Foi visitando as fazendas, participando de roteiros rurais e conhecendo de perto o processo de produção que visitantes de fora da região passaram a reconhecer a qualidade do café cultivado nas encostas da Mantiqueira, o que ajudou a colocar o produto no radar de compradores, avaliadores e do público consumidor. Concursos de qualidade, feiras do setor e a própria vocação da região para o Turismo Rural e para o Turismo Gastronômico deram visibilidade a um café que já era bom havia gerações, mas que ganhou reconhecimento e valorização justamente por ser mostrado, provado e vivido por quem visita o Circuito.

Nilcio Freitas, gerente regional do Sebrae-SP em Campinas, afirma que este é um dia muito emocionante e representa uma grande conquista para toda a região: “Ao longo dos anos, tivemos a oportunidade de acompanhar de perto o trabalho dos produtores, entrar nas propriedades, conhecer suas histórias, compartilhar desafios e celebrar conquistas. O café que chega à xícara é resultado de muito trabalho, dedicação e da busca constante por qualidade, mesmo diante de todos os desafios que fazem parte da atividade.”  

A Indicação Geográfica confirma, agora com respaldo oficial, algo que o turismo regional já vinha mostrando na prática: o café é parte da identidade do Circuito das Águas Paulista tanto quanto suas águas termais e sua natureza serrana. O selo tem ainda o papel de posicionar e reforçar o café como um dos ativos turísticos e econômicos do Circuito das Águas Paulista, somando-se aos demais atrativos que enriquecem as nove cidades.

Entre os critérios que sustentam a IG estão a exigência de qualidade mínima de 80 pontos na escala da Specialty Coffee Association (SCA), o que garante maior nível de doçura e acidez equilibrada nas xícaras, além de requisitos de sustentabilidade ambiental, proibição de trabalho escravo e infantil, e fortalecimento do empreendedorismo feminino na cadeia produtiva. 

Para conhecer mais sobre os cafés especiais do Circuito das Águas Paulista e a importância da IG para a região e os mais de 1,8 mil produtores, confira o vídeo disponível no Youtube, e que pode ser acessado clicando aqui.

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