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Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “ReArte” (Certificado Ministério da Cultura), Museólogo no Museu Rearte (reconhecido pelo IBRAM/Ministério da Cultura), gestor Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som/SP), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), historiador, professor de artes visuais, pós-graduado em Psicanálise, em perícia técnica sobre artes e em Biblioteconomia.
Dizem que o cérebro de autistas superdotados opera em frequências de rádio que a maioria ainda não sintonizou. Fazemos conexões inusitadas, pontes invisíveis entre temas que, ao olhar comum, parecem habitar galáxias distantes. Neste exato momento, por exemplo, meus pensamentos não caminham; eles voam montados em aves de papel e nadam entre divindades marinhas, tudo isso enquanto dão gargalhadas.
Vou tentar explicar — ou, ao menos, oferecer um mapa desse meu caos geográfico-mental.
A nossa ReArte (que, como vocês sabem, é Museu, Ponto de Cultura, Biblioteca, Residência Artística e uma infinidade de "etcéteras" culturais) está prestes a sediar um intercâmbio técnico fascinante. Trata-se da Residência Maid Cafe, um laboratório de performance a portas fechadas onde o Clube de Cultura Pop de Serra Negra e artistas da capital ensaiam a união improvável entre o rigor do teatro vitoriano e a estética vibrante dos animes japoneses. Para quem não está habituado ao termo, o Maid Cafe é uma expressão cultural nipônica onde a hospitalidade é elevada ao nível de encenação teatral.
Inspirado por esse sopro oriental, decidi tirar das reservas do Museu as minhas pinturas que já peregrinaram pelo Japão e pela colônia imigrante em São Paulo. São telas povoadas por mil Tsurus — aquela garça em origami (dobraduras de papel) que, diz a lenda, concede desejos a quem dobrar mil unidades. Mas, como ainda ecoam as celebrações do Dia Mundial da Água, a correnteza me levou além: ao lado da Sereia Japonesa, alinhei suas "primas" mitológicas gregas, africanas, irlandesas e a nossa exuberante Iara indígena.
Como abril é o mês dos festivais de Sakura (a cerejeira em flor), a ReArte florescerá em tintas rosadas. Mas — e aqui a curva do pensamento se acentua — abril também é o mês em que nosso convênio como Ponto MIS (Museu da Imagem e do Som de SP) nos convoca para o reino da comédia. Toda quarta-feira teremos clássicos do cinema mundial para celebrar o Dia Nacional do Humor. O resultado? Minha pintura da Monalisa ganhou versões astecas, egípcias e afro, todas ostentando sorrisos enigmáticos para harmonizar com a oficina “Muito Além da Risada”, que realizaremos dia 19 com o brilhante professor e crítico de cinema, Cássio Starling.
Para amarrar esse pacote de "assuntos aleatórios", como costumo brincar, temos o Slow Art Day (Dia de Apreciar Arte Sem Pressa) em 11 de abril. Sou o representante brasileiro desse movimento global que convida o público a fazer o oposto do mundo digital: parar, respirar e olhar uma obra por alguns minutos e trocar ideias com os artistas. Farei o papel de um "Nestor Leme" nas artes, contando os “causos” de bastidores dessas criações enquanto o público degusta cada pincelada.
No fim das contas, me vejo assim: planando sobre flores de cerejeira montado em um tsuru gigante, enquanto cavalgo sereias e dou risada com as comédias clássicas do cinema. Como batizar esse turbilhão de forma compreensível, técnica e poética? Minha aposta atual é: "Flores, Asas e Sorrisos: O Voo dos Tsurus, a Magia das Sereias e as Risadas da Sétima Arte".
Ufa! Caros leitores, este é um vislumbre da (des)funcionalidade da mente de um "Au/Ar-tista". E olhem que, na crônica passada, eu prometi que ia descansar a cabeça no domingo de aniversário da sede... Pois é, promessa de artista é como dobra de origami: a gente sempre acaba inventando uma nova forma logo em seguida!

