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Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “ReArte” (Certificado Ministério da Cultura), Museólogo no Museu Rearte (reconhecido pelo IBRAM/Ministério da Cultura), gestor Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som/SP), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), historiador, professor de artes visuais, pós-graduado em Psicanálise, em perícia técnica sobre artes e em Biblioteconomia.
Nesses dias em que ainda ruminamos a decepção com a nossa seleção de futebol, eis que hoje, acordo, abro as notícias locais de Serra Negra e me deparo com uma tragédia bem mais dolorosa e real: o “piromaníaco pirado” da região atacou novamente, deixando mais um rastro de fogo e cinzas em nossas matas.
Além do trauma óbvio infligido aos animais, inclusive humanos que respiram a fumaça, a agressão à flora é incalculável. É uma ironia amarga: a humanidade insiste em queimar o chão que nos sustenta! Ainda mais, a floresta, que nunca deixou de nos socorrer e de onde brota a matéria-prima para quase todos os remédios do planeta.
Já que a nossa fiscalização terrena não dá conta do recado, resolvi apelar para o andar de cima. Convoquei uma seleção divina, um verdadeiro "timaço" ecumênico de guardiões para fechar o gol da biodiversidade e aplicar uma goleada nesses incendiários.
Da Europa antiga, chamei Hécate, com seu jardim de plantas mágicas para a armação de jogadas, escoltada pela precisão de Panaceia, a camisa 10 que traz a cura para tudo, e a craque Ártemis, especialista nas ervas da saúde feminina.
Da nossa vibrante miscigenação brasileira, vieram os donos do meio-campo: Ossaim, o orixá senhor de todas as folhas, o alquimista africano Katendê e a sabedoria ancestral dos Caboclos das Matas. Para a zaga, chegam a universal Mãe-da-Mata, pronta para regenerar o gramado queimado, e a arretada Comadre Fulozinha, que entra dando carrinho firme e chicoteando com suas tranças o calcanhar de qualquer piromaníaco que se aproxime com fósforo.
Para completar a comissão técnica, reforcei a convocação com o esquadrão do Olimpo católico: Santa Hildegarda e seus tratados visionários de botânica medicinal, os irmãos São Cosme e Damião com suas pomadas e óleos herbários, e o nosso artilheiro São Pantaleão, o médico do século III e padroeiro dos herboristas, equilibrando ciência e fé no ataque.
Esses craques certamente conquistam até a copa (das árvores…) com seu “futebol” raiz!
Podemos nos dar ao luxo de montar mais uma seleção só com a categoria de base! Por exemplos, o Guaco é aquele zagueiro truculento que barra qualquer tosse na grande área; a Camomila é a meia-direita cadenciada que acalma o ritmo do jogo quando o estresse aperta; e a Hortelã é ponta de lança veloz que ataca sem dó as dores digestivas.
Claro, se o técnico (o herborista, o fitoterapeuta) escalar errado, toma um contra-ataque de efeitos colaterais. Se escalar com sabedoria, levanta a taça da cura!
Quando o time divino da natureza joga junto com o conhecimento humano, a vida é que comemora o título!
Neste campeonato todo eu já fui quase que um “cartola”! Nos anos 90, quem ajudasse aos outros com as ervas, seja por profissão, ou por caridade, acabava… preso! Como presidente do sindicato dos terapeutas, já acudi até freiras e pastores que, ao indicarem e doarem chás e extratos de ervas aos carentes, eram acusados ora de curandeirismo, ora de exercício ilegal de medicina! Nestes momentos, nós éramos como o VAR (Árbitro Assistente, só que sem Vídeo), acionados para provar que não era “pênalti”, não! Mas, essa é outra partida que não cabe nesta crônica de hoje…
Escalar um ótimo time titular de plantas para seu dia a dia é a proposta deste sábado, dia 25 de julho, onde estarei ministrando gratuitamente, no Museu ReArte, a Oficina Prática – Farmácia Viva: A Sabedoria das Plantas para o Dia a Dia.



