Junte-se à nossa lista de assinantes para receber as últimas notícias, atualizações e ofertas especiais diretamente na sua caixa de entrada
Jornalista, pós-graduado em Marketing, MBA em Comunicação e Mídia, e MBA em Empreendedorismo e Inovação. Empreendedor, é sócio-fundador da Freestory – A primeira plataforma do Brasil de autodescrição com storytelling, IA e IoT. Com formação em Profissões do Futuro (O Futuro das Coisas) e no Programa de Capacitação da Nova Economia (Startse). É também músico, escritor, roteirista e storyteller.
Um sábado ensolarado testemunhava as principais vias da cidade repletas de pessoas, circulando para cima e para baixo com sacolas nas mãos e celulares desembainhados, registrando as imagens que serão levadas para sempre na memória daqueles que aproveitaram para visitar Serra Negra durante a Festa das Nações. A poucos quilômetros dali, dezenas de famílias e centenas de pessoas se reuniam para prestar mais uma - e jamais a última - homenagem a dois serranos que gravaram seus nomes na história recente de nossa cidade.
Eny Timko, esposa, mãe, avó e amiga, recém-declarada cidadã serrana, retirou-se desta existência para alcançar a imortalidade. Na sala ao lado, Nelsinho Delbono, de sorrisos arrebatadores e acentuadas risadas, seguia seus passos rumo à eternidade que ele passou a vida crendo. Ambos alcançaram a vitória e chegaram lá. É raro para qualquer um participar de duas funestas cerimônias que ocorrem concomitantemente, no mesmo local, por circunstâncias isoladas. Serra Negra pranteou dois de seus filhos mais ilustres no primeiro fim de semana de maio de 2026. Mas não é a dor quem merece destaque aqui, especialmente porque aqueles que partiram são dignos de nossas mais ternas, felizes e emocionantes lembranças.
A noite de quarta-feira, 4 de dezembro de 2024, consagrou a atuação de Dona Eny em solo serrano. Ao lado de outras pessoas que trabalharam em prol do município e seus moradores, a virtuosíssima mulher recebeu, merecidamente, o título honorífico de cidadã serrana durante Sessão Solene marcada para aquela data. O Decreto Legislativo Nº. 476/2024, de autoria do vereador Renato Giachetto, exaltava a vida e a experiência de Dona Eny para muito além do seio familiar, mas como verdadeira representante do que é ser cidadã. Sempre carinhosa, sua graciosidade era externada em cada palavra que expressava seu desejo por saber “como você está? E sua mãe? E sua irmã, seu irmão? Como estão todos em casa?”. Genuíno cuidado de um coração que só soube amar.
Nelsinho, por sua vez, é o possuidor da mais ardente, larga e notável risada de Serra Negra. O homem para quem o tempo estava sempre bom, como excelente dono de lavanderia não se importava se chovia ou fazia sol - e isso não é sobre roupas, tapetes ou sapatos. Mesmo sem saber, ele tinha o dom de transformar o seu dia e arrancar um sorriso do coração mais aflito. Corintianíssimo, estava sempre correndo, mas doava seu precioso tempo parando para conversar com quem quer que fosse, a fim de fazer com que outros se sentissem melhor. O verdadeiro dom de um vicentino. “Este é de presente para a sua filha”, disse - sorrindo, é claro - estendendo as mãos e entregando o sapatinho lustroso, ainda mais branco do que quando saiu da loja.
Soraya, Verônica, Peter, Caio, Thiago, Paulo e Mateus; Débora, Vitória e Flávia; famílias Timko, Neves, Negro e Pertrini, e família Delbono, saibam que ao findar aquele momento de consternação, nós todos precisamos ir embora, seguir nossas vidas e finalizar a triste e saudosa noite de sábado. Nós todos, mais cedo ou mais tarde, atravessaremos a nossa escura noite particular. Apesar disso, nossos corações estão ligados aos seus em amor por aqueles que merecem nossa gratidão, tanto por terem existido, quanto por nos permitirem entrar em suas vidas e delas participar. Dona Eny e Nelsinho, Serra Negra só tem o que agradecer.

