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Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “ReArte” (Certificado Ministério da Cultura), Museólogo no Museu Rearte (reconhecido pelo IBRAM/Ministério da Cultura), gestor Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som/SP), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), historiador, professor de artes visuais, pós-graduado em Psicanálise, em perícia técnica sobre artes e em Biblioteconomia.
Houve uma época, nem tão distante, em que o tempo não corria; ele deslizava sobre trilhos.
Quem caminha hoje pelas ruas (nem tão…) tranquilas de Serra Negra, por vezes se esquece de que o solo sob nossos pés guarda o eco mecânico e poético de velhas locomotivas.
O ferro que cortava a paisagem não dividia a terra; ao contrário, costurava distâncias e aproximava destinos, operando como o cordão umbilical de nossa modernidade interiorana.
Quando o apito do trem ecoava pelas montanhas, não se anunciava apenas a chegada de mercadorias ou de viajantes forasteiros; anunciava-se a própria vida que vinha se moldar por aqui.
Essa história, afinal, corre também nas minhas veias. Foi sob o sol de Santos que meus bisavós sentiram o primeiro calor da nova pátria, recém-desembarcados da Itália. E foi o mesmo abraço de ferro dos trilhos que os acolheu, trazendo-os da costa santista, subindo a serra, até finalmente desembarcarem aqui, nas terras do Circuito das Águas. Cada curva da ferrovia desenhou o destino da minha própria família.
É sob o compasso dessa nostalgia pulsante que agosto nos convida a embarcar em uma jornada diferente!
Neste mês de agosto, sob o tema nacional “Nosso patrimônio é uma viagem!”, promovido pela Jornada do Patrimônio 2026 e pelo SISEP (Sistema Estadual de Patrimônio Cultural de São Paulo), o Museu ReArte transforma-se na plataforma de embarque para uma travessia afetiva.
Não se trata de uma mera celebração estática do passado… O patrimônio, afinal, é matéria viva. Ele reside na pincelada naïf das artes de Cid Serra Negra, que com sua genialidade lírica levou o Saci para as paredes sacras da Igreja de São Benedito, subvertendo o óbvio e eternizando a nossa iconografia mais pura.
Celebrar o Cid, nosso artista maior, cruzando seu olhar com minhas próprias buscas nas artes visuais na Exposição “Trilhos da Memória” (a partir de 08/08) , é compreender que a arte local é o vagão mais bonito dessa composição.
A viagem que propomos não se encerra nas telas das pinturas. Ela ganha a “tela grande” das quartas-feiras, sob a curadoria atenta do MIS - Museu da Imagem e do Som/SP, do qual temos orgulho de representar em nossa cidade.
No Museu ReArte, o cinema se faz espelho da condição humana. Ver o operário de Charlie Chaplin em Tempos Modernos é revisitar o próprio ritmo fabril que as ferrovias inauguraram; emocionar-se com o clássico O Imigrante é reconhecer a bravura daqueles que, exatamente como os bisavós de muitos de nós, desembarcaram nas antigas estações ferroviárias com as mãos vazias e o peito cheio de sonhos, erguendo a identidade paulista.
E, para provar que a viagem avança rumo ao futuro, a imaginação ganha asas com a animação premiada Garoto Cósmico e com a oficina prática (e gratuita!) que ensina a criar seus próprios mundos, quadro a quadro, através da técnica Stop Motion (filme feito com a união de foto a foto de cada movimento de bonecos ou objetos), feitos com simples celulares!
No encerramento dessa jornada de agosto, o cinema e a música dão as mãos para celebrar a nossa estação final: o clássico e o autoral se fundem quando a consagrada melodia napolitana de Funiculì, Funiculà cruza os mares e se derrama sobre o samba paulistano em “Se Demoro Aqui, Não Chego Lá”. Nesta obra autoral, permiti-me brincar com a velocidade do imaginário ferroviário e os compassos de Adoniran Barbosa, provando que a pressa do trem é a mesmíssima pressa do coração que anseia pelo encontro.
E, quando a tela grande se iluminar no dia 26 com a projeção histórica de Viagem à Lua, de Georges Méliès, compreenderemos enfim que as ferrovias de ontem são as naves espaciais de hoje: caminhos perenes que a humanidade inventa para saciar sua eterna fome de infinito!
Para embarcar nesta viagem pelo patrimônio no Museu ReArte (Serra Negra), o bilhete é inteiramente gratuito!
Confira os dias e horários de cada um dos nossos "trens das artes", acessando www.rearte.com.br.
Reserve seu lugar (Whatsapp 11 982946468), pois a locomotiva da memória já está na plataforma!
As atividades são gratuitas e acontecem na Rua São Vicente de Paulo, 108 – Serra Negra/SP. As reservas de ingressos podem ser feitas via Whatsapp 11 982946468.



