Henrique Vieira Filho
Henrique Vieira Filho

Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “ReArte” (Certificado Ministério da Cultura), Museólogo no Museu Rearte (reconhecido pelo IBRAM/Ministério da Cultura), gestor Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som/SP), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), historiador, professor de artes visuais, pós-graduado em Psicanálise, em perícia técnica sobre artes e em Biblioteconomia.

Colunas

Vampiros na Paulista, Cinema de Graça e a Arte de ter Mil Empregos

Imaginem a cena: centenas de vampiros trajados a caráter, em plena Avenida Paulista, marchando sob a luz do sol rumo ao hemocentro. Eu devia ser a única pessoa fantasiada de 'normal' naquele cortejo... Aprendi a diferença entre o historiador, preso à verdade dos fatos, e o contador de histórias. Cá entre nós: prefiro mil vezes contar causos!

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Vampiros na Paulista, Cinema de Graça e a Arte de ter Mil Empregos
Liz Vamp e Henrique Vieira Filho na Fontana de Trevi serrana
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A vida de quem ostenta mil e uma profissões no currículo tem lá as suas peculiaridades. A maior delas? Pautas semanais para escrever! Quando a inspiração resolve tirar férias, confesso que apelo sem pudor para as efemérides e datas comemorativas. A vantagem é que, com tantos “empregos”, sou parabenizado quase todos os dias.

Nos próximos dias, receberei cumprimentos pelo Dia da Fotografia (já que me me arrisco como fotógrafo artístico e jornalístico) e pelo Dia do Historiador. Mas hoje, 13 de agosto, é o Dia dos Vampiros! Calma, não sou um deles... embora alguns desconfiem da minha capacidade de estar em tantos trabalhos ao mesmo tempo.

Quem reina soberana nessa data é minha eterna amiga, a atriz e cineasta Liz Marins. Filha do lendário José Mojica Marins (o Zé do Caixão), ela dá vida à icônica personagem Liz Vamp. Tivemos o prazer de recebê-la aqui em Serra Negra para a I Mostra de Cinema Fantástico, quando ela palestrou e, figurativamente, sugou alguns pescoços voluntários.

(Aproveitando a deixa: toda semana tem cinema gratuito por aqui no Museu ReArte. Venha conhecer!)

Mas nem só de tirar sangue vivem os nossos vampiros nacionais. A campanha Dia dos Vampiros, idealizada por Liz, completou 25 anos e virou até lei na cidade de São Paulo! Sempre há quem critique, dizendo que doação de sangue deveria ser tratada com mais "seriedade". Contudo, as estatísticas provam o contrário: o bom humor gerou um mar de reportagens e atraiu infinitamente mais doadores do que as campanhas tradicionais.

Tive o privilégio de fazer a cobertura fotográfica de uma dessas edições no vão livre do MASP. Imaginem a cena: centenas de vampiros trajados a caráter, em plena Avenida Paulista, marchando sob a luz do sol rumo ao hemocentro. Eu devia ser a única pessoa fantasiada de "normal" naquele cortejo.

Existem fotógrafos excepcionais que dão um único clique certeiro e voilà: uma obra-prima! E existe o fotógrafo aqui, que aposta na quantidade. Ligo o recurso "disparo contínuo" e meto o dedo no botão, torcendo para que ao menos uma foto preste. 

O disparo contínuo faz a câmera tirar dezenas de fotos por segundo; se você juntar todas bem rápido, vira quase um stop motion — aquela técnica de animação clássica onde se tira várias fotos de um objeto parado, mudando ele de lugar um pouquinho a cada clique, para dar a ilusão de que ele ganhou vida e está se mexendo sozinho!

(Mais um convite imperdível: corra para se inscrever — é gratuito, mas as vagas estão esgotando — na Oficina Prática: “Meu 1º Stop Motion com o Celular”, no dia 22 de Agosto, também no ReArte! Acesse www.rearte.com.br)

Nas minhas peripécias, aprendi a diferença entre o historiador (o tal "cientista do passado", preso à verdade dos fatos) e o contador de histórias (o artista com liberdade poética). Cá entre nós: prefiro mil vezes ser um contador de "causos". É muito mais divertido!

E para honrar a arte dos causos, encerro com um fato real daquela cobertura no MASP:

O marido de Liz Vamp conseguiu um intervalo no trabalho e correu para se unir ao cortejo. Sem tempo de se fantasiar, chegou lá de terno e gravata — altíssimo, magro, postura impecável. Nisto, uma garotinha que observava encantada aquele festival de Dráculas, Nosferatus e Vampirelas, olha para o rapaz de terno, puxa a barra da saia da mãe e sussurra, apavorada:

Mãe... mãe! Aquele ali é de verdade!

Reserve seu lugar via Whatsapp 11 982946468 e saiba mais em www.rearte.com.br.

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