Henrique Vieira Filho
Henrique Vieira Filho

Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “ReArte” (Certificado Ministério da Cultura), Museólogo no Museu Rearte (reconhecido pelo IBRAM/Ministério da Cultura), gestor Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som/SP), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), historiador, professor de artes visuais, pós-graduado em Psicanálise, em perícia técnica sobre artes e em Biblioteconomia.

Colunas

O Baile das Sombras

Henrique Vieira Filho une a psicologia de Jung e o gênio de Matisse aos causos de Nestor Leme sobre os "fragas" no cinema para convidar o público para a oficina gratuita de animação com sombras no Museu ReArte

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O Baile das Sombras
O Baile Das Sombras - Ilustração: Henrique Vieira Filho

Dizem que o ser humano tem um medo ancestral do escuro, mas a verdade é que nós adoramos uma penumbra. Seja para esconder as nossas imperfeições ou para projetar os nossos desejos, a sombra é, no fundo, o nosso melhor disfarce. 

Platão, aquele grego sisudo, tentou convencer-nos de que a sombra era uma mentira de prisioneiros numa caverna. Mal sabia ele que, milênios depois, a "caverna" viraria cinema e a gente pagaria bilhete justamente para ver as sombras mentirem-nos com poesia.

Como psicanalista, sou obrigado a dar um ponto ao meu colega Carl Jung. Ele dizia que a Sombra é o nosso "irmão sombrio", o depósito de tudo o que não queremos admitir que somos. Mas Jung sabia que é nesse escuro que o ouro está escondido. E para quem quiser ver o que a alma projeta quando a luz é certa, as gravuras de Jung voltaram a estar em exposição aqui na ReArte, dividindo o espaço com outro mestre que soube reinventar-se através dos contornos: Henri Matisse.

Matisse, quando a idade e a saúde lhe tiraram a firmeza para segurar o pincel, não se rendeu ao cinza. Ele trocou o óleo pela tesoura. Reanimou a sua arte "desenhando com tesouras", criando silhuetas vibrantes que provaram que, mesmo debilitado, o artista pode encontrar a sua essência no recorte de uma sombra. As gravuras de Matisse são um lembrete de que a vida, por vezes, exige que a gente corte o excesso para revelar a forma.

Mas, se Matisse e Jung levaram a sombra para a galeria, o meu amigo Nestor Leme, no nosso último encontro sobre a "Era de Ouro do Cinema", contou-nos como os apaixonados de Serra Negra a levavam para a plateia. Nestor lembrou-se dos famosos "fragas" — os casais que, amparados pelo escuro do cinema, acreditavam ser meras silhuetas invisíveis. Pobres iludidos!

Bastava um movimento mais entusiasmado para que as suas sombras fossem denunciadas pela luz residual da tela. E então surgia o vilão de todo o romance juvenil: o "lanterninha". Com um feixe de luz impiedoso, ele trazia as sombras de volta à realidade, interrompendo o beijo com a autoridade de quem fiscaliza a moral e o silêncio da sala.

Essa magia das silhuetas foi levada às telas muito antes de Walt Disney! Nos anos 20, a genial Lotte Reiniger já fazia milagres. Com papel preto e uma paciência de mestre, ela criou animações de sombras e cinema colorido que ainda hoje nos deixam boquiabertos. 

Lotte não precisava de computadores; ela precisava de luz, tesoura e da mesma coragem de Peter Pan ao tentar "costurar" a sua sombra aos pés com a linha de Wendy.

Se Peter Pan precisou costurar a sombra para não perder o seu "lastro" com o mundo, nós muitas vezes precisamos de uma luz nova para entender as nossas próprias silhuetas.

Afinal, a vida é um baile de sombras, e a gente só precisa de aprender a manipular a lanterna para o "causo" ficar perfeito!

É por isso que o convite para este sábado é imperdível. Vamos deixar de ser apenas os "alvos" da lanterna do cinema para sermos os mestres da projeção.

No dia 14 de março, o Museu ReArte recebe a oficina gratuita de "Animação com Sombras", através do programa Pontos MIS

A mestre Marta Russo vai ensinar-nos que, entre uma lâmpada e um lençol, existe um universo de stop-motion à espera de ser criado. 

Clique no link e garanta sua
Inscrição:
https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSeY0wMeS9MVPYHGVhXBKnxTte70ZJ06DkZlZT6uTB7CAcDDxQ/viewform

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