O líquido rubro e viscoso se precipita no fundo da taça, tingindo suavemente o invólucro de cristal. Leves giros sobre a mesa; o cálice é, então, levado às narinas antes de o líquido ser derramado na boca, envolvendo todo o paladar. O frescor da bebida harmoniza com o aroma que emerge do prato repousado no sousplat. O barulho dos talheres anuncia o início da experiência. Acompanhados de mestres, dezenas de pessoas se reúnem desde 2025 em pontos diferentes da cidade de Socorro para apreciarem momentos de prazer, aprendizado e troca de conhecimento. O Clube de Experiências Gastronômicas (CEG) nasceu do encontro amigos que se reuniam para comer e beber enquanto contavam histórias e partilhavam emoções, e do desejo de expandir essas sensações para outras pessoas: “Nós criamos um grupo com profissionais diversos: eu, Edson Faustino, venho com a elaboração de cardápios temáticos; o meu sócio e barista, Jesse Zerlin, apresenta o café especial; o grupo conta ainda com a turismóloga argentina Pamela Salinas, além do sommelier e especialista em vinhos, Felipe Wertheimer, que vem de família hoteleira e que é proprietário do Le Coq Vinheria, bar de vinhos situado dentro do Hotel Recanto da Cachoeira, onde, assim como no restaurante A Maná e na MUV Café, acontecem as experiências do clube. Criamos esse grupo para, como o próprio nome já indica, realmente ser um clube de experiências gastronômicas além do Amaná e do Le Coq, com a intenção de ser itinerante. Sendo assim, estamos abertos a parcerias que levem esse menu experiência a outros públicos. Temos dois formatos, e ambos têm uma aceitação muito interessante por parte do público: o primeiro é de degustação, que envolve a entrada, com a composição com os vinhos e finalizando com o café; o segundo é o jantar harmonizado, uma vivência mais completa, contando com uma sequência explicativa por parte da Pamela Salinas, apresentando todo um trabalho de direção e de roteiro, com storytelling, revelando os aspectos e a histórias de cada prato servido na noite, de cada passo e de cada sequência, até chegar ao café, que fecha a noite sendo apresentado como uma sobremesa ou com o próprio café, que tem a possibilidade de ser gelado, numa experiência que construímos juntos, a oito mãos”.
Edson Faustino e Jesse Zerlin são especialistas quando o assunto é alimentação e café. Atualmente, Faustino é chef de cozinha e empreendedor. Mas ao longo de 23 anos de experiência na área, ele já foi maitre, atendente de salão, garçom e gerente de restaurante. Mas é melhor deixar que ele resuma, nas suas próprias palavras, como ele se define, e o que ele mais gosta de fazer: “Eu gosto de gente. O princípio de tudo, pra mim, tem de envolver pessoas. Tenho uma história de mais de 23 anos na área da gastronomia, me desenvolvendo no salão e no atendimento, com formação em gestão de pessoas e gestão operacional, atuando em grandes restaurantes do eixo gastronômico da alta gastronomia paulistana, trabalhando, inclusive, com todos os jurados do programa Masterchef da Band. Atuei também como sommelier e como gerente de algumas casas em São Paulo, e fiz gestão de exatamente todos os setores de um restaurante, como compras, gestão de pessoas (maitre), gerência geral e de grupos, entre outros. Como a paixão pela cozinha gritou mais alto, atualmente sou empreendedor em meu próprio restaurante, desenvolvendo um trabalho dentro da cozinha também. Contudo, não rotulo a mim mesmo como ‘chef’, apesar de possuir uma base muito boa, dada toda essa experiência que tive ao longo do tempo. Trabalhei também em diversas outras áreas, mas sempre dentro do ramo de alimentos e bebidas, como bares e restaurantes, o que contribuiu muito com meu desenvolvimento dentro da cozinha, enriquecendo bastante meu conhecimento. E é isso o que entrego hoje no restaurante A Maná, especialmente no salão e no atendimento ao público, bem como na gestão de pessoas”.
Alguém que já fez de tudo em sua área de atuação, e não se envergonha do seu passado, ao contrário, afirma ser justamente ele o trampolim que o levou ao sucesso que hoje desfruta, Faustino afirma que a falta de visão de crescimento e de senso de responsabilidade da mão de obra disponível hoje no mercado estão entre as principais dificuldades encontradas na gestão de um restaurante: “Para não fugir do discurso que é muito falado hoje no mercado, a maior dificuldade do setor é encontrar pessoas e mão de obra qualificada. Muita gente não enxerga essa área para um desenvolvimento pessoal e profissional, e sim apenas como um emprego temporário. No meu caso, fui muito feliz ao enxergar isso como desenvolvimento. Hoje, graças a Deus, empreendo dentro dos meus empreendimentos, mas tenho, sim, algumas dificuldades com relação a pessoas que não têm a intenção de crescer dentro da área e, assim, acabam perdendo uma grande oportunidade na vida. E posso afirmar isso com certeza, haja vista o meu próprio testemunho. Eu acredito que fujo um pouco dessa realidade em meus empreendimentos, porque os colaboradores do A Maná são muito dedicados. Isso ocorre também por conta dessa gestão de proximidade. Estou muito próximo das pessoas que trabalham comigo, tentando desenvolver nelas esse senso de profissão, não apenas de trabalho. E não só no campo profissional, como no pessoal também, de alguma maneira, sempre mantendo, é claro, uma distância segura para não haver um envolvimento desnecessário ou até mesmo invasivo na vida privada dos colaboradores e parceiros. Mas, hoje, trabalham comigo todos os dias o Jorge, a Nancy, a Jane e a Maria, além da minha esposa que também está lá ao meu lado. Temos, sim, uma gestão de negócios familiar, mas somos movidos por uma visão empreendedora de expansão para o futuro. Portanto, essas pessoas que estão conosco hoje, com certeza também enxergam essa possibilidade de crescimento profissional. Sendo assim, posso afirmar que eu não tenho um problema, de fato, com a equipe, mas o mercado realmente sofre bastante”. Ele deixa um recado para o público: “E vocês, que estão nos lendo e ouvindo, tenham isso como uma grande oportunidade de desenvolvimento, porque eu sou prova viva de que esse mercado tem muito a oferecer”.
A viva prova do que Faustino afirma não parte dele, mas dos clientes que visitam e retornam ao local, tornando-se frequentadores do ambiente, e levando suas famílias para viver essa experiência: “Temos um almoço de domingo que é maravilhoso. Aliás, todo o final de semana é, mas no domingo tem esse apelo familiar cultural, reunindo mesas maiores, com toda a família, com várias gerações sentadas ali. Eu fico diretamente na cozinha, fazendo as finalizações de pratos, observando todo o movimento do salão e todo esse movimento que enriquece o ambiente. O A Maná é um ambiente familiar, então, ficamos extremamente satisfeitos em ver as famílias lá dentro, compartilhando esse momento tão íntimo dentro do nosso espaço. É um combustível para o nosso dia a dia”.
Enquanto lentamente goteja no decanter, o vapor sobe ao alto, perfumando o ambiente. O inconfundível cheirinho de café é quase unanimidade entre os brasileiros. Das primeiras horas da manhã, até entardecer, seja nas manhãs frias de inverno, com o café quentinho na xícara, ou nos dias quentes de verão, com os cada vez mais solicitados cold brews, o café é, definitivamente, a paixão nacional. E quando praticamente ninguém sequer conhecia os cafés especiais, Jesse Zerlin já trabalhava com eles em sua cafeteria na cidade de Socorro, hoje, um polo da agricultura especializada nos grãos, produzindo alguns dos melhores lotes do estado de São Paulo e do país: “Eu sou um barista e empreendedor, atuando no segmento de cafés especiais desde o ano de 2004, antes mesmo de surgirem os tais ‘cafés especiais’, que começaram a surgir com mais força entre os anos de 2008, 2009 e 2010. Tenho o enorme privilégio de morar no Circuito das Águas, e mais especificamente em Socorro, que é um cenário de muita cafeicultura e muitos cafés especiais, hoje, cada vez mais premiados e com relevância no mercado regional e nos cenários nacional e internacional”.
No dia da entrevista, Jesse Zerlin me presenteou com um delicioso café, também do município de Socorro, acerca de quem ele fez questão de mencionar: “Esse é um café de um pequeno produtor, o senhor Valdir Ferrari, que iniciou as atividades de plantio desde os primórdios do começo dos cafés especiais na região, e até hoje trabalha com a família, fazendo uma lavoura diferenciada, com um manejo dedicado para trazer sempre a qualidade na xícara. E assim como o vinho, o café hoje está buscando seu espaço e sua relevância, unindo produtores, baristas, entusiastas, coffee lovers e toda a cadeia, que tem cada vez mais se dedicado a trazer essa qualidade e essa experiência para quem bebe. Nesse rol de profissionais ainda estão os torradores e os mestre de torra, porque a qualidade que começa no produtor precisa acontecer em todo o resto da cadeia, mantendo a mesma qualidade”.
É o que dizem por aí: ‘É possível fazer um bom café no Melitão, em casa’: “Com certeza! Desde que usando uma boa matéria-prima, que é o principal item da receita, é possível, sim. Quando feito com um bom café, com grão de origem e rastreável, com certeza chega na xícara com muita qualidade”.
O Circuito das Águas possui dezenas de cafeterias - talvez, centenas delas - e é um dos empreendimentos mais frequentados dessas cidades, tanto por moradores, quanto por turistas que visitam a região. Entretanto, ainda é nítido perceber que, infelizmente, na maioria delas não encontramos os cafés produzidos no próprio Circuito, sendo preteridos em relação a outras marcas maiores ou mais baratas, mas que, em contrapartida, não entregam na xícara a mesma sensação, o mesmo sabor e a mesma experiência que os produtos locais têm o potencial para entregar. A defesa é justamente para que os grãos locais e regionais sejam a escolha de quem procura um bom café: “Temos muitos cafeicultores aqui na região. Só em Socorro são mais de 800 unidades produtoras, enquanto no Circuito todo são mais de 2 mil unidades produtoras de café, com produtos de altíssima qualidade, tão bons quanto os melhores do mundo na atualidade”.
A mais recente pesquisa da Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC), em parceria com o Instituto Axxus, realizada entre os anos de 2019 e 2025, aponta que apenas cerca de 11% dos consumidores compram cafés especiais. O levantamento foi realizado em todas as regiões do país, e entrevistou 4,2 mil pessoas, entre homens (45%) e mulheres (55%). Em 2025, 24% das pessoas reduziram o consumo de café, ante 7% em 2019. Enquanto isso, 39% dos consumidores passaram a escolher as marcas de café que bebem motivados pelo valor do produto - o número era de 7% em 2019. Ou seja, nos últimos anos, para não ficar sem beber café, o brasileiro optou por reduzir o consumo da bebida, e escolher uma de qualidade inferior no mercado.
São muitos os fatores que levam o público a não adquirir cafés especiais, entre eles, o próprio desconhecimento da existência desses produtos, que geralmente não são vendidos em supermercados, mas em lojas especializadas, empórios, pela internet e na própria fazenda ou sítio produtor. Zerlin acredita que, por isso, ainda mais pessoas podem provar e passar a comprar cafés especiais, seja para fazer em casa, seja quando pedir a bebida em uma cafeteria, mas que é preciso ser feita uma força-tarefa para estimular o consumo: “Eu acredito que ainda tenha muito espaço para aumentar o consumo de cafés especiais, principalmente em nossa região, que é muito carente de cafeterias e casas de café que sirvam esse tipo de bebida. Se compararmos o número de produtores regionais ao número de cafeterias existentes no Circuito, fica muito aquém do que é possível ter. O Circuito das Águas é um grande produtor de matéria prima de excelência, sendo assim, acho que ainda temos muito espaço para crescer, divulgar e investir nos setor. Todavia, é como o Edson já relatou, que a disponibilidade de mão de obra atualmente é muito rara, e tanto o produtor quanto o empreendedor de cafeterias, padarias e restaurantes, enfrentam uma enorme dificuldade para achar pessoas qualificadas e que já possuem uma base de conhecimento para trabalhar nesse mercado que é exigente. Isso acaba por desestimular um pouco o investimento. Na minha opinião, penso que o Poder Público poderia contribuir de inúmeras formas a fim de tentar promover e incentivar mais a cadeia gastronômica do café, em parceria com produtores e empreendedores.
E se a Administração Pública dos municípios poderia contribuir com o crescimento do segmento na região, a imprensa local também pode auxiliar nesse trabalho. Sendo assim, o Entre Linhas e Vozes (Elevo) - ligando os microfones da Rádio Serra Negra 104,5 FM, e abrindo as páginas do Jornal O Serrano - faz, mais uma vez, um apelo para pedir aos comerciantes do Circuito das Águas que utilizem os cafés produzidos na região. O rogo é que cafeterias de Serra Negra sirvam em seus espaços cafés produzidos em Serra Negra mesmo, em Monte Alegre do Sul ou em Socorro; que as padarias de Amparo, por sua vez, ofereçam a seus clientes os grãos produzidos em sítios da própria cidade, ou em Jaguariúna, Pedreira, ou ainda em qualquer outro município da região; que os cafés de Socorro alcancem os estabelecimentos locais e regionais, e assim por diante, em todos os nove municípios do Circuito das Águas Paulista. O Elevo vê essa como uma questão importante para ser posta sobre a mesa, uma tarefa de casa que todos precisamos fazer, bem como um pedido adjacente à imprensa regional, que também encampe essa luta junto aos cafeicultores e profissionais do setor.
E assim como no ramo do café, a gastronomia também se desenvolveu nos últimos anos, alcançando mais pessoas, e estimulando os brasileiros a investirem mais dinheiro para comer melhor. Se o papel da imprensa e dos meios de entretenimento podem contribuir para o aumento do consumo de cafés especiais, a mídia já vem fazendo esse trabalho com a alta gastronomia, como lembra Edson Faustino: “Nos últimos dez ou doze anos, com certeza a imprensa, programas de televisão e de entretenimento trouxeram para a área, principalmente o programa Masterchef (TV Band). E isso fez com que o segmento entrasse em evidência constante no dia a dia de inúmeras pessoas, levando a alta gastronomia, a cozinha de chef e a culinária contemporânea para um público maior que atingia antes. E junto a esse público maior, veio também uma exigência maior, mas que abre caminhos. Entendemos que uma vitrine importante - e aqui mais uma vez citando o Masterchef, entre outros programas, como o Master do Sabor, Pesadelo na Cozinha e outros programas de referência na gastronomia e na confeitaria - uma vitrine que dá visibilidade possibilita, entre outras coisas, a abertura de novos negócios, como o que aconteceu em São Paulo, capital, onde vários restaurantes foram inaugurados, e alguns como foco exclusivo em sobremesas, por exemplo. Essa exposição positiva só vem agregar e deixar a porta aberta para mais profissionais e novos empreendedores alcançarem grandes possibilidades”.
O som do Rio do Peixe entra em harmonia com o canto dos pássaros que circulam pelo arvoredo que farfalha ao sabor do vento. A gastronomia oferecida pelo restaurante A Maná é envolta pela natureza, formando um cenário único para quem está em busca de paz enquanto desfruta de um delicioso almoço ou jantar contemporâneo, rico em brasilidade e, claro, cafés preparados de maneira inovadora e muito saborosa. Em uma das melhores casas da região, é possível passar horas ali, aproveitando os sabores diferenciados e a companhia de quem mais entende do assunto: O A Maná foi criado para realmente levar esse prazer para as pessoas. Hoje, nosso espaço é assim, com uma varanda riquíssima para contemplação, voltada para o Rio do Peixe, ladeado por uma mata que abraça o restaurante. O restaurante fica dentro do Jardim Moda Shopping, em Socorro, onde funciona também a MUV Café, um espaço para encontros cafeinados. E da mesma maneira que já citamos a importância do produtor local de café, vale a pena destacar que nós também oportunizamos esse espaço na nossa gastronomia, usando produtos locais, como o tomate cereja, que tem uma produção socorrense maravilhosa, uma verdadeira uva de tão doce que é. E eu faço desse ingrediente um protagonista em vários pratos do A Maná, bem como a tilápia, que é uma proteína muito consumida na região e, principalmente, em Socorro, sempre valorizando a produção local”.
Segundo Faustino, a escolha pelos ingredientes, além das técnicas de preparo, são garantias de satisfação dos clientes: “Realmente, hoje entregamos experiências muito satisfatórias para nossos clientes e amigos, colhendo resultados surpreendentes. Mudei-me para Socorro há três anos, e fui muito bem acolhido. Hoje, posso dizer, tenho em socorro a minha base, uma cidade que já mora no meu coração, e isso tudo só é possível por conta do A Maná, que me permite criar e estreitar esses relacionamentos com as pessoas locais e da região, sendo esse o foco do meu trabalho. O A Maná tem um produto muito voltado para as pessoas locais e, consequentemente, também para os turistas. Por isso, convido todos da região, de Serra Negra, Amparo, Monte Alegre do Sul e outras cidades vizinhas para visitarem o A Maná e conferir tudo o que estamos dizendo. Tenho certeza que vai sair de lá com essa sensação maravilhosa, e isso eu me comprometo”, afirma Edson Faustino.
Durante nossa conversa, brinquei com o chef que eu ainda aprenderia a fazer o famoso vinagrete de feijão fradinho que ele serve no A Maná: “Ah, boa! Na verdade, isso vem da minha origem. Eu sou paraibano, nordestino, e lá temos um consumo muito alto de feijão fradinho ou ainda num estágio anterior dele, que é o feijão verde, ainda na vagem. Essa receita remete muito à minha infância e às minhas origens. O vinagrete de feijão é muito acompanhado com peixe, inclusive para valorizar e trazer protagonismo para a tilápia, que é justamente o prato que servimos, resultando, assim, na união da minha infância e da minha origem, essa coisa mais afetiva, com o protagonismo de uma proteína muito consumida aqui no Circuito das Águas. O convite é para que todos conheçam porque realmente é maravilhoso”.
Um dos maiores desafios da cozinha autoral é combinar preparos contemporâneos com ingredientes da fauna e da flora brasileiras. Coco, castanhas, batatas, tomate cereja, carnes e peixes fazem parte do perfil gastronômico do A Maná, preparados com destreza e muita delicadeza. Ao provar os pratos, é possível experienciar um misto de sensações: do frescor do vinagrete, à suculência do peixe; a combinação de texturas delicadas, temperatura equilibrada, acidez ponderada e aromas marcantes em uma única porção levada à boca: “Nossa! Eu chego até a arrepiar, porque… assim, o pensamento do produto, a ideação dele, sempre foi - mais uma vez - pensando nas pessoas. Eu não queria tirar o trivial, sabe? Sabe aquela necessidade de estar perfeitamente bem arrumado simplesmente para almoçar? Não é exatamente essa a ideia. O A Maná é um lugar despojado, um local para sentar e contemplar a natureza, aproveitar o momento e se deliciar nessa experiência gastronômica, mas sem abrir mão do fator simplicidade, um espaço gostoso, fácil de escolher. Portanto, servimos parmegiana, que é uma comida popular e democrática, mas finalizada com pesto de manjericão maravilhoso, o que acrescenta um diferencial considerável para o prato. A ideia de produto sempre foi atender o público geral, mas trazer esses toques de carinho, de cuidado e de riqueza de detalhes dentro do prato. E assim como esse testemunho, eu fico muito satisfeito com o retorno de todos os demais clientes”.
E terminando o almoço e indo para o café, é mais que um atendimento cordial, onde o cliente sempre tem razão. A cordialidade e a recepção são os diferenciais da casa. Se possível, e quando solicitado, Jesse e Edson podem até mesmo sentar-se à mesa com os convidados, numa demonstração de verdadeira amizade, um abraço ofertado aos que escolheram o Amaná: “Esse é um dos nossos diferenciais. É isso mesmo o que procuramos: ter esse acolhimento e estreitar o relacionamento com os clientes que são amigos, inclusive. Esse hábito eu já pratico desde a Doce Arte, que foi o primeiro projeto de cafeteria que eu tive. E o próprio café traz essa proximidade maior em todo o segmento de gastronomia. Então, aprendemos e incorporamos esse hábito de estar bem próximo dos clientes, dos amigos, gerando essa experiência próxima também no restaurante”, comenta Jesse Zerlin.
Para quatro porções, prepare o café a seu próprio gosto (podendo ser a partir de métodos filtrados ou infusionados), e acrescente uma bola de sorvete em cada taça (de leite, nata, creme ou baunilha), regando com ¼ de xícara (chá) do café quente e sirva imediatamente.
Não tente reproduzir isso em casa se o seu objetivo é equiparar seu affogato com o de Jesse Zerlin - o melhor que você poderá provar. Além da original, existem inúmeras receitas encontradas na internet, com licor, chocolate e doce de leite, além daquelas que são inovadoras, mas controversas para alguns paladares mais conservadores, como as acrescidas de pistache, ganache ou toppings de avelãs, flor de sal ou qualquer outro ingrediente que traga crocância.
Preparados pelas mãos de Jesse Zerlin, a receita segue o seu original, mas com um detalhe: o sorvete é caseiro, produzido pelo próprio barista. O equilíbrio perfeito que vem a partir dos extremos: quente e gelado; líquido e pastoso; acidez e amargor unidos ao dulçor: “O Affogato são paixões que a gente vai encontrando na vida. E a partir de uma delas, tive a ideia de fazer o meu próprio gelato [segundo Zerlin, em conversa privada, ele garante que na Itália, todo sorvete nada mais é que o famoso gelato aqui no Brasil], um sorvete que condizesse com a qualidade dos nossos cafés e, por isso, passei muito tempo tentando, aprendendo, criando receitas, conhecendo pessoas e conversando, recebendo indicações, até chegar nesse sorvete que servimos na MUV hoje. Trata-se de uma experiência de qualidade: a união de um bom sorvete, uma boa estrutura, com o café especial, quase que como se quem o provasse estivesse na própria Itália. É um café que é uma sobremesa, apresentando toda essa complexidade e essa textura, em momentos distintos no paladar, com o café extraído quente e intenso, integrado à suavidade e doçura do gelato, resultando numa complexidade sensorial”.
Mais que servir café, Jesse Zerlin deseja criar um real movimento de cafeinados.: “A MUV é um projeto que tem como ideia estar sempre em movimento, criando um movimento do café, usando estruturas já existentes, como acontece na nossa parceria com o Edson no restaurante A Maná, onde criamos uma verdadeira atmosfera gastronômica, um local onde é possível encontrar uma amplitude de experiências, desde o café da manhã, passando pelo almoço com sobremesa, café da tarde, até chegar ao jantar. E o shopping traz algumas possibilidades de compras, de gastronomia, de contemplação do Rio do Peixe, e não somente no nosso restaurante, mas no centro comercial como um todo. Há outra cafeteria, também muito bonita, e um jardim maravilhoso anexo. O A Maná fica dentro do Jardim Moda Shopping, funcionando como um dos espaços que atrai bastante o público, e faz com que quem nos visita se sinta muito bem. A nossa preocupação é, realmente, abraçar as pessoas, ter essa proximidade que atrai e faz com que o visitante tenha o desejo de passar o dia inteiro ali, tomando um bom café da manhã, seguindo para o almoço, passeando e chegando até a hora do jantar, no início da noite, e às sextas e sábado, além disso tudo, estendendo até o período noturno. É possível nos encontrar e fazer as reservas pelas redes sociais. Temos a certeza de que todos terão uma experiência maravilhosa.
Um tour por lugares, povos, era, saberes, histórias, vivências, sabores. Tudo isso reunido em uma única noite. Com o intuito de promover as gastronomias local e regional, e provocar o público a se abrir a novos conhecimentos e possibilidades culinárias, nasce assim o Clube de Experiências Gastronômicas, em Socorro. Comida, harmonizada com vinho, e finalização com café ou com uma sobremesa à base da bebida. Todo o menu é preparado oportunizando um momento ou uma temática, e acompanhado por explicações sobre os pratos, as bebidas, as sobremesas e as histórias que circundam aquele menu: “Os convites são liberados conforme a data do evento se aproxima. Há um limite de participantes por noite, por isso, é necessário que os interessados façam suas reservas o quanto antes. O formato mais completo é o do jantar harmonizado, contendo entrada, prato principal e sobremesa, com as duas primeiras etapas acompanhadas de vinho, e a última servindo café especial, que pode ser gelado, ou uma sobremesa desenvolvida com a bebida, ou ainda o café acompanhando uma sobremesa. Cardápios diferentes são criados para cada evento, e para isso, vamos nos provocando ao longo das semanas sobre as possibilidades que temos para criar. Em 2026, por exemplo, já temos algumas datas relacionadas à celebrações. Por exemplo, o Dia Internacional da Mulher (comemorado em 8 de março), quando eu, como chef, vou desenvolver um cardápio voltado às mulheres. Claro que os acompanhantes, os maridos, os namorados, também serão contemplados, mas o intuito é focar no Dia da Mulher. Escolhemos vinhos mais elegantes, que se adequam mais ao paladar feminino. Outra criação é o Dia Mundial do Malbec (comemorado em 17 de abril), quando farei um menu voltado para celebrar a uva de origem francesa, com um prato servido com um molho à base de vinho Malbec, harmonizado com a própria bebida. E tudo isso acontece enquanto a turismóloga Pamela Salinas vai guiando e contando a história desse menu, o sommelier Felipe discorre sobre a harmonização dos vinhos com cada prato e, por fim, o Jesse Zerlin finaliza com a apresentação do café, que também traz uma história que enriquece ainda mais a noite”.
Além de oferecer boa comida, companhia agradável e momentos marcantes, o grupo também acredita que pode servir como um formador de novos públicos, fazendo a experiência funcionar como um letramento gastronômico, uma alfabetização culinária, a fim de que os participantes conheçam e compreendam a alta gastronomia e suas harmonizações com bebidas, bem como o mundo dos cafés especiais: “Sem ser pretensioso, acredito que ainda precisamos de uma educação gastronômica de forma geral na sociedade brasileira, e estamos contribuindo com isso por meio dessas experiências, levando elaborações inovadoras para o público, ainda que não com tanta complexidade, mas com questões técnicas que despertam os participantes para observarem alguns pontos essenciais no universo da cozinha e, consequentemente, essa prática acaba educando gastronomicamente as pessoas que participam da experiência. E é claro que o público que desejamos atingir é morador do Circuito das Águas, mas também atendemos turistas que visitam as cidades, haja vista que essa é uma região turística, o que permite que alcancemos essas pessoas também”, conta Faustino.
Sua fala é seguida por Zerlin, que afirma que nessa caminhada, muita gente colabora para difundir o café, os alimentos e as bebidas, entre produtores rurais, baristas, chefs, cozinheiros, jornalistas, entre outros: “São grandes entusiastas que também desejam gerar esse letramento, ajudar a democratizar e a desmistificar o consumo da gastronomia, gerando movimentos e momentos, valorizando os alimentos e todo o trabalho que é investido no seu preparo. Além dos eventos do Clube de Experiências Gastronômicas, realizados nesse cenário específico e direcionado, com datas marcadas, nossos espaços também permitem às pessoas que tenham pausas durante a semana, em plena segunda ou terça-feiras, ou ainda num final de semana em que possam usufruir dessa atmosfera que criamos no Circuito, especificamente no Jardim Moda Shopping, no A Maná e na Muv”.
O clube funciona em modelo de confraria, portanto, os interessados em participar devem ficar atentos às redes sociais dos organizadores do clube: “Como não há um convite direto, é fundamental que os interessados em participar do CEG acompanhem os organizadores nas redes sociais, por onde comunicamos todas as informações necessárias, como datas e horários, menu, local do evento, entre outras. Basta fazer contato via WhatsApp ou Instagram do restaurante A Maná ou da MUV Café. E para além do Clube, por ali o público também conhece mais sobre os nossos espaços, abertos diariamente para quem deseja tomar um bom café, almoçar ou jantar”.
Edson Faustino e Jesse Zerlin aproveitam o espaço para convidar o público do Circuito das Águas para conhecer o restaurante A Maná e a MUV Café, bem como para lembrar àqueles que desejam trabalhar no setor de que é possível, sim, ser bem-sucedido, até porque, a região tem um grande potencial para os negócios, fazendo incrementar ainda mais empreendimentos ao turismo regional, em parceria com empreendedores, profissionais, investidores, Poder Público e imprensa: “É importante fazer um apelo também para quem vive no Circuito das Águas, falando diretamente para os trabalhadores e profissionais que atuam na área ou têm essa intenção, que realmente invistam nessa área, encontrando na gastronomia não só uma vaga de trabalho, mas uma oportunidade de desenvolvimentos pessoal e profissional, porque eu tenho certeza de que quem foca nessa área tem sucesso. A escassez também gera possibilidades. E acredito firmemente que estamos desenvolvendo um trabalho importante na região e levando isso para as pessoas de uma forma muito genuína. Então, todos estão convidados a conferir de perto esse trabalho que está sendo feito”, concluiu Edson Faustino.
“Eu também quero agradecer a parceria com o Ibraim Gustavo, mais uma pessoa entusiasta que ajuda a promover tudo isso, bem como agradecer ao Edson Faustino pelo maravilhoso acolhimento que me deu e pela incrível parceria que fizemos. Cada vez mais eu aprendo que quando um trabalho é feito a várias mãos, as coisas são mais potentes, ganham mais amplitude, chegam mais longe e são mais eficientes. Para finalizar, como o Edson falou, também aproveito o espaço para provocar os setores mais diversos: Administração Pública, jornalistas, comerciantes e amigos para que, juntos, possamos promover essa inclusão dos profissionais e valorizar cada vez mais esse segmento de mercado, construindo carreiras de muito sucesso”, finaliza Jesse Zerlin.
Esse labor só pode ser realizado a muitas mãos. Muita gente trabalhando junto, a fim de transformar o Circuito das Águas em um dos mais importantes polos gastronômicos e de cafés especiais do Brasil. Para isso, é fundamental receber o apoio também do público, que pode se beneficiar participando de experiências como essas, e conhecendo mais profundamente o universo que contempla essas áreas da vida e do saber.
Você pode ouvir essa história, com a entrevista de Edson Faustino e Jesse Zerlin, além de ouvir os próximos episódios da série Entre Linhas e Vozes no canal da Freestory no Spotify, clicando aqui.