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Jornalista, pós-graduado em Marketing, MBA em Comunicação e Mídia, e MBA em Empreendedorismo e Inovação. Empreendedor, é sócio-fundador da Freestory – A primeira plataforma do Brasil de autodescrição com storytelling, IA e IoT. Com formação em Profissões do Futuro (O Futuro das Coisas) e no Programa de Capacitação da Nova Economia (Startse). É também músico, escritor, roteirista e storyteller.
Em meio à um infindável mar vermelho de faróis e lanternas dos carros que se estendem pela avenida, uma estrutura de pedras se agiganta no horizonte, e do alto dos seus 72 metros, faz menção de que o destino final se aproxima. Em frente ao Portão 3, o Obelisco do Ibirapuera homenageia os combatentes da Revolução Constitucionalista de 1932, celebrada todos os anos em 9 de julho, que, insatisfeitos com a perda de autonomia política nas decisões da República após o longo período da alternância de poder entre os cafeicultores paulistas e os produtores de leite mineiros, os moradores do estado de São Paulo se insurgiram para a retomada do governo após as eleições de 1930, que levou à presidência o gaúcho Getúlio Vargas, eleito pela Aliança Liberal (AL).
O cenário da derrocada da República do Café com Leite, como ficou conhecido o período de 1890 à 1930, teve um reforço extra com os reflexos da crise cafeeira de 1929, após a quebra da Bolsa de Nova York, que fez com que os Estados Unidos, maior comprador dos grãos brasileiros, reduzissem drasticamente as importações de café, colapsando o mercado e derrubando o preço a níveis impensáveis para uma economia ainda muito baseada no café para exportação. A crise levou o novo governo de Vargas a comprar grande parte da produção nacional para dar um fim drástico: queimar cerca de um terço da safra entre os anos de 1931 e 1944, com 70% do estoque anual incendiado só em 1937. Na região que hoje é conhecida como Circuito das Águas Paulista, centenas de fazendeiros tiveram seus negócios prejudicados, e dezenas deles foram à falência.
A insurreição não derrubou o governo, e a revolução acabou com a rendição dos paulistas Contudo, a luta rendeu bons frutos com o compromisso de Getúlio Vargas lançar uma Constituinte no ano de 1934 - daí o nome de Revolução Constitucionalista.
Quase cem anos depois, o cheiro de café queimado que invadiu o céu brasileiro no segundo terço do século passado, foi substituído pelo delicado aroma que subia do Pavilhão da Bienal no Parque do Ibirapuera, a poucos metros do Obelisco Mausoléu aos Heróis de 32, localizado na Praça Ibrahim Nobre, na Zona Sul da capital paulista. Ali, um dos maiores eventos da cafeicultura mundial presta homenagem à todos aqueles que fazem o setor seguir movimentando a economia e os mercados nacional e internacional, somando, segundo a Embrapa, 51,81 milhões de sacas, e totalizando mais de R$ 114 bilhões de faturamento, aumento de 46,2% em relação ao recorde anterior, registrado em 2024 (R$ 78,55 bilhões). Realizado há mais de dez anos em diversos países do mundo, o Coffee Festival acontece também em São Paulo, e celebra a cena do café especial em uma das mais importantes cidades do planeta, reunindo centenas de produtores, marcas ligadas ao café, baristas, torrefações, empreendedores, cafeterias, jornalistas e demais entes ligados ao setor, somando milhares de visitantes ao longo dos três dias de programação. Neste ano, o evento aconteceu entre os dias 26 e 28 de junho, e contou com a participação de um grupo do Circuito das Águas Paulista.
Uma missão organizada pelo Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), em parceria com a ACECAP (Associação de Produtores de Cafés Especiais do Circuito das Águas Paulista), levou 40 produtores regionais, baristas, mestres de torra, comunicadores e influenciadores e coffee lovers na sexta-feira, o dia de abertura do evento. Ali, os participantes tiveram contato com as novidades e inovações do setor, conheceram tendências do mercado para os próximos anos, fizeram contato e networking com especialistas e, claro, degustaram café especiais e outras bebidas, bem como queijos autorais e chocolates bean to bar, alimentos utilizados como harmonização para o café.
“Fiquei muito feliz de ter participado de mais uma edição do São Paulo Coffee Festival. Aprendi novas tendências do café para esse ano, acompanhei o trabalho de vi baristas, de torrefações e de mestres de torras, e assisti à Copa Barista, que deu um show, mais uma vez. Bebi muito café especial, e só bebidas de altíssima qualidade, um evento incrível, como sempre”. Esse é Diego Silva, barista campeão duas vezes (2023 e 2025) da Copa Koar de barismo, que acompanhou o grupo na Missão Circuito no SPCF: “E fiquei mais feliz ainda por ter visto, neste ano, os produtores do Circuito das Águas divulgando nossa região nesse evento, um grupo formado por baristas, produtores e jornalistas que divulgaram nosso café para todo o país”, finalizou.
Além de participar como visitante, o Circuito das Águas Paulista também foi convidado pela organização do evento a palestrar em dois painéis da programação oficial, no espaço conhecido como Laboratório, organizado pela São Paulo Coffee Festival (SPCF) e promovido pela Revista Espresso, a maior autoridade de mídia do setor no país. A Missão levou à capital uma das maiores novidades do ano, que foi a concessão do selo de Indicação Geográfica (IG) aos cafés especiais do Circuito das Águas Paulista, outorgada em maio pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Para Silvia Fonte, produtora rural e presidente da ACECAP, a participação do Circuito como palestrante convidado do evento, demostra a importância da região na cena da cafeicultura brasileira: “A ACECAP foi convidada pelo Sebrae Nacional a expor no espaço das IGs, e mostrar, pela primeira vez, nossa região como a mais nova Indicação Geográfica na categoria de Indicação de Procedência de cafés especiais, para um público estimado de mais de 16 mil pessoas que passaram pelo evento ao longo dos três dias. Tivemos ainda um espaço para falar sobre como foi essa conquista, e também sobre a própria Associação, contando nossa história desde a formação, ressaltando os prêmios de qualidade do café recebidos pelos produtores do Circuito nos concursos regionais e estaduais, que demonstram o nosso desejo em tornar a região tanto reconhecida como produtora de cafés especiais, quanto desejada para ser visitada, vivendo a experiência do Turismo Rural nas fazendas e nos sítios produtores”.
O Laboratório também possibilitou a promoção da região como destino que valoriza a produção sustentável como um tripé entre os setores da economia, do social e do ambiental: “Essas características são fundamentais e o norte da ACECAP, que tem uma preocupação profunda em manter preservada a fonte geradora da vocação turística que fez o Circuito das Águas Paulista possuir Estâncias Hidrominerais em seu rol de municípios vinculados, por meio das fontes radioativas de água mineral o que, de fato, acreditamos ser a principal responsável pela doçura única nos cafés produzidos na região. A Associação capacita o produtor a ter cafés de qualidade, além de oferecer recursos de tecnologia no pós-colheita e, em breve, um laboratório sensorial para ajudar o cafeicultor a fazer vendas a preços justos com o conhecimento de sua qualidade”, acrescentou Sílvia Fonte, que ainda argumentou a favor da valorização do trabalho feminino, tanto na produção quanto no turismo, bem como os aspectos relacionados à sucessão familiar dos empreendimentos rurais.
Analista de Negócios do Escritório Regional do Sebrae Campinas, Carla Cozer comenta que a Missão em parceria com a ACECAP rendeu ótimos frutos e grandes parcerias aos participantes: “A missão empresarial organizada pelo Sebrae é uma ação estratégica de mercado muito importante para o café do Circuito das Águas, pois trata-se de uma feira que fala direto com o consumidor final. Foi muito interessante participar porque, além de levar muitos produtores pela primeira vez para conhecerem o evento, tivemos ainda diversas marcas de café da região expondo e vendendo lá também”.
Carla Cozer, que foi acompanhada pelo consultor de Negócios do órgão, Robson Moreira, falou ainda sobre a participação da Missão no painel que apresentou a IG dos cafés especiais da região: “Esse painel trouxe o relato de como foi a busca por esse selo, bem como quais são os próximos passos que devemos dar no futuro. Acredito que precisamos olhar o mercado para compreender quem são os nossos consumidores, a fim de oferecer produtos que vão atender a esses anseios. Temos muitos cafés premiados na região, mas não basta apenas produzir excelentes cafés, é preciso também entender cada vez mais o que o consumidor está pedindo para entregarmos a ele”, pontuou.
“Você piscou, e viu o mestre de torra Matheus Tinoco de norte a sul do país e, no último fim de semana de junho, ele também participou do São Paulo Coffee Festival, evento que, segundo ele, já nasce grande mas que ainda carrega a capacidade de crescer - em tamanho e qualidade - a cada nova edição: “É um evento que tem uma característica muito particular de acontecer dentro da maior cidade da América Latina e uma das maiores capitais do mundo, com fácil acesso para todos os públicos, já que não foca apenas nos produtores e profissionais da área, mas também no consumidor final. Então, mesmo havendo diversas atividades para profissionais do setor, como concursos, palestras de extrema qualidade e networking, o evento ainda conta com uma quantidade de público consumidor que não é vista em qualquer evento, dando a possibilidade de se fazer a venda dos produtos diretamente para o público final, que pode provar cafés de diferentes origens, vindos de todo o Brasil”.
Tinoco, que é consultor de torra de marcas da região e que representou a Kaleido no festival (uma das mais conhecidas marcas de torrador elétrico de café), deu destaque à participação do Circuito das Águas Paulista no SPCF: “A região compareceu em peso, com produtores, torrefadores, baristas, com indústrias e profissionais do segmento, o que fortalece muito a presença do Circuito, inclusive dando a oportunidade de mostrar a qualidade destes cafés para um público muito abrangente”.
Além da participação como visitante, o Circuito também foi representado em estandes - próprios ou de parceiros - como é o caso do Lobo do Serrote (Socorro), do Celebrity Coffee (Amparo) e da Sirkel Coffee (Serra Negra); bem como da Casa Gandolphi (Amparo), que esteve no estande do Sebrae Nacional; da Cafezal em Flor (Monte Alegre do Sul), que participou como representante das Rotas do Café, do Governo do Estado de São Paulo; e da Rizzieri Cafés Especiais, que abrilhantou o estande da Rua do Café (e-commerce do setor).
De grão em grão, os cafés especiais do Circuito das Águas Paulista vão ganhando espaço no importante território antes dominado por grandes marcas e produtores, e igualmente vêm conquistando os paladares com uma bebida suave, harmoniosa, equilibrada e de alto poder de dulçor na xícara, promovendo uma verdadeira revolução entre paulistas e demais brasileiros que buscam qualidade no café.
Você pode ouvir essa história na íntegra, com os depoimentos dos participantes deste episódio, além de ouvir os próximos da série Entre Linhas e Vozes no canal da Freestory no Spotify, clicando aqui.



