“Era uma vez um fazendeiro que tinha um cavalo lindo. Mas um dia, o cavalo dele fugiu. Depois de ouvirem a notícia, os vizinhos dele foram visitá-lo: - ‘Mas que azar’, eles disseram. ‘Vamos ver’, ele respondeu. Na manhã seguinte, o cavalo dele voltou, junto com mais três cavalos selvagens. ‘Uau! Você teve muita sorte’, disseram os vizinhos. ‘Vamos ver’, respondeu o fazendeiro.
No dia seguinte, o filho dele tentou montar em um dos cavalos selvagens, mas foi jogado no chão e machucou a perna. Os vizinhos disseram: - ‘Mas que azar!’. ‘Vamos ver’, disse o fazendeiro. No dia seguinte, soldados foram até o vilarejo e obrigaram todos os jovens a entrarem para o exército, mas não levaram o filho do fazendeiro porque ele estava com a perna machucada. ‘Você teve tanta sorte…’, disseram os vizinhos. ‘Vamos ver’, disse o fazendeiro”.
À primeira vista, uma historinha simples. Ao colocar foco na narrativa, portas e janelas se abrem para o portador de um olhar mais atento. É isso o que os 154 episódios das três temporadas da série (infantil?) Bluey proporciona a quem assiste.
O mês de férias chegou, e para quem mora em Serra Negra, no Circuito das Águas Paulista ou em outro município da região de Campinas, o convite é inédito e arrebatador: A família de cães mais amada e apaixonante do mundo está com o espetáculo oficial em cartaz no teatro em Campinas. Produzida pela Ludo Estúdio (Austrália), distribuída internacionalmente pela BBC, e vencedora do Emmy Kids de Melhor Animação, Bluey Ao Vivo - Diversão em Família chega ao Brasil numa montagem desenvolvida especialmente para a América Latina.
“Desde o ano passado, trouxemos o espetáculo oficial aqui para o Brasil, que traz um resumo de alguns episódios do que o público já assistiu na televisão e no streaming, mostrando a rotina da família Heeler, tão amada por todas as crianças e pelos pais também. É um conteúdo familiar, recheado de ensinamentos e repleto de mensagens maravilhosas, tanto para as crianças quanto para os adultos. E a peça, com autorização da BBC, de Londres, e da Ludo Estúdios, da Austrália - os criadores originais - fez essa transposição para os palcos, vindo ao Brasil com uma montagem exclusiva para o público local, com uma apresentação que traz os personagens em sua totalidade para a cena, inclusive com figurino importado da Inglaterra, com 12 atores no palco e os dubladores originais da versão em português, além da trilha sonora com as canções que fazem parte da série, o que atrai muito as crianças e enche os olhos e o coração de todos os espectadores”, afirma o diretor de produção da peça, Gustavo Nunes.
Depois de ter passado com estrondoso sucesso por São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Vitória e Porto Alegre, somando aproximadamente cem mil espectadores Brasil afora, agora é a vez de Bluey Ao Vivo - Diversão em Família desembarcar em Campinas, alcançando o público de toda a região, e das cidades do Circuito das Águas Paulista. Inicialmente, a peça tinha ingressos para dois fins de semana (dias 4 e 5; 11 e 12 de julho), mas a alta procura fez com que a produção esticasse por um período maior a estadia na região, anexando os dias 18 e 19 à programação. “Temos o maior orgulho de fazer esse show aqui na região de Campinas, onde ficaremos por três finais de semana em cartaz no Teatro Oficina do Estudante, no Shopping Iguatemi, um dos principais palcos do teatro no interior do estado. Por isso dizemos que é importante quem estiver lendo ou ouvindo que não perca tempo, pois realmente vale a pena assistir à peça e os ingressos estão se esgotando”. Nunes afirma que a intenção de disponibilizar dois horários para o público - às 11 horas e às 15 horas - reflete a cultura da própria série, que é de trazer conforto e ser agradável para as famílias, levando um conteúdo relevante e divertido.
Linda, inteligente, amável e muito engraçada. É assim que Bluey, aquela encantadora cadelinha azul chegou chegando e conquistando os corações. Ao lado da irmã, Bingo, Bluey apronta tudo que pode e o que não pode em casa e com a família, mas sempre com muito respeito e de uma maneira muito particular, trazendo em cada fala, em cada cena e em cada episódio, ensinamentos muito grandes e profundos sobre a vida, sobre o cotidiano e sobre as relações familiares. Bandit Heeler, personagem que retrata o pai de Bluey e Bingo, é, simplesmente, adorado por todas as pessoas que assistem à série. Chilli, a mãe, é extremamente carinhosa e muito presente em todas as fases da vida de suas filhas.
Para quem acompanha Bluey, a sensação é de que a série é escrita em distintas camadas de compreensão. Num primeiro estágio, com menor profundidade e de modo mais orgânico e natural possível, a linguagem é totalmente palatável aos pequenos, que se encantam com a parceria entre Bluey e Bingo, com os sonhos das meninas, a diversão em família e as brincadeiras com os amiguinhos e vizinhos, como as novas regras do “Pai do Lucky” para passar o pacote nas festas de aniversários; com o desejo de se tornar um astronauta e enfrentar o temido buraco negro; ou então, ter coragem para dormir sozinha no próprio quarto porque, afinal de contas, já se tem quatro anos de idade.
Porém, ao se aprofundar nas camadas mais conceituais, a caneta de Joe Brumm (roteirista australiano e criador da série) leva a audiência à dar mais atenção às relações interpessoais, bem como a olhar para dentro de si mesmo e compreender como enfrentar os medos e os traumas de infância, que não precisam ser revisitados a todo instante - como ensina a professora Calypso à Mackenzie: “Você já sabe o que tem aqui. Não precisa ficar voltando para este lugar”, afirma. Ou ainda compreender que, às vezes, o quarto ao lado está a uma distância imensa conforme o tempo passa e as crianças crescem:
Bingo: - Mãe, quero dormir igual menina grande, e acordar aqui na minha cama.
Chilli: - Faça o seu melhor, querida. Mas, lembre-se: eu sempre estarei aqui se você precisar. Bom sonhos!
Brumm conseguiu criar algo que é tocante para as crianças e emocionante para os adultos ao mesmo tempo, fazendo uma escala crescente no esforço exegético do público entre a primeira e a terceira temporadas. Está tudo ali, escancarado e pronto para ser posto em discussão pelas pessoas nas ruas, nas escolas e nos almoços de domingo: a criação dos filhos, o cansaço dos pais, o burnout parental e a expressa retomada da energia física e da saúde mental para seguir cuidando das crianças, os desafios da parentalidade, os efeitos do crescimento na vida dos pequenos, as mudanças, de endereço e de mentalidade, entre tantas outras pautas trabalhadas de maneira verdadeiramente lúdica - sem exagero de marketing para o emprego do termo, como muita gente faz para situações extremamente triviais que pouco acrescem ao desenvolvimento de uma criança.
Além disso, rompendo com a escola clássica do storytelling, o roteirista realizou um feito inédito ao dispensar a presença de um “inimigo” para escrever um produto de entretenimento de sucesso colossal. “Por meio desse espetáculo, conseguimos transpor ao palco tudo isso, todo esse afeto, essa diversão e esse amor que os pais têm pelos filhos. São depoimentos que ouvimos do público que vai ao teatro, dizendo que conseguimos retratar essa essência no seu ponto mais alto, colocando essa história nos palcos. E quando as crianças veem os personagens ali, ao vivo, é muito encantador, uma explosão de alegria, inclusive dos próprios pais, emocionados, ao verem os filhos vibrando tanto”.
O diretor de produção dá o testemunho de que já fez o teste de apresentar o desenho a crianças que não conheciam a série e que amaram imediatamente a produção: “É um desenho muito sincero e verdadeiro. Mostra a vida real das famílias, e cativa as pessoas por esse universo de realidade. E o que o teatro fez foi envolver o público nessa atmosfera interessante, inteligente, cheia de afeto e com as aventuras repletas de carinho, com um olhar sutil sobre a infância, com reflexões sobre a nossa própria vida que perdemos o contato atualmente, nos vítimas de tanta correria e de tantas tarefas a serem cumpridas. O teatro nos faz lembrar desses momentos com as crianças, da magia que tem o ato de brincar”.
“E viveram felizes para sempre”. A frase mais famosa do encerramento dos contos de fadas se resume apenas a eles. Porque são contos. E de fadas madrinhas. Na prática, na lida diária da vida, nem sempre as histórias têm finais felizes. E, geralmente, os desfechos são paradoxais.
Bluey: - Isso foi um final feliz ou um final triste?
Calypso: - Os dois.
Bluey: - Mas eu não entendi...
Calypso: - Vem cá, querida. Tudo vai acontecer do jeito que tem que ser, Bluey.
As reflexões que a série traz aos espectadores - e agora ao público no teatro - são um verdadeiro convite a olhar a vida por outros prismas. Uma destas perspectivas propõe uma observação mais abrangente - e antropológica - acerca do papel da arte no desenvolvimento do homem, enquanto espécie, e do ser humano, como indivíduo.
Não é só fazer entretenimento e diversão. É, sim, sobre a “legalzeira”, a parte divertida da arte. Contudo, o fazer teatro traz consigo uma responsabilidade social intrínseca ao trabalho artístico, que é, justamente, convencer famílias inteiras e, especialmente crianças e toda uma nova geração, de que o teatro é legal, é fonte de cultura e de saber e é enriquecedor para a vida e para a alma. “Eu represento a Turbilhão de Ideias e a Lotus Global, empresas que criam entretenimento ao vivo por todo o Brasil, e em nossas andanças, vemos o quanto é importante a criança ter um primeiro contato de qualidade com o qualidade com o teatro, uma experiência marcante que a faz querer voltar no futuro. Temos uma responsabilidade muito grande fazendo teatro infantil, e acreditamos que ao levar projetos e espetáculos realmente significativos para esse público gera engajamento para a vida inteira com o teatro, que é a expressão máxima da nossa arte. Esses momentos de comunhão e de presença ficam registrados na memória das crianças para sempre”.
Nunes acredita que o teatro é revolucionário, em particular nesse momento de expansão do uso de telas e da tecnologia na sua máxima expressão: “Há um lado bom nessas ferramentas, é claro, que nos aproxima de quem estamos geograficamente distantes, mas estar presente com a sua família, se encantando com uma história ao vivo é emocionante, é arrebatador. Temos muito orgulho de fazer isso aqui no Brasil, de trazer esse conteúdo para o povo brasileiro e presentear os pais e as crianças com um espetáculo tão encantador, cheio de humor também, e com momentos de interatividade. Enquanto as crianças assistem à peça, elas identificam os episódios e comentam as cenas seguintes e o desenrolar da história. Tudo isso faz parte da magia que o público encontra no palco do início ao fim”.
“Eu quero, portanto, fazer o convite para as pessoas irem ao teatro e não perderem essa oportunidade. Esse é o momento certo para assistir ao espetáculo oficial de Bluey ao vivo no Brasil”, encerra Gustavo Nunes.
Bluey Ao Vivo - Diversão em Família é apresentado no Teatro Oficina do Estudante no Shopping Iguatemi, em Campinas-SP. As sessões exclusivas ocorrem nos dias 11, 12, 18 e 19 de julho, sábados e domingos, sempre às 11 horas e às 15 horas, exceto na apresentação final (dia 19), com horário único, às 11 horas da manhã. O espetáculo foi trazido ao Brasil pela parceria entre a Lotus Global e a Turbilhão de Ideias, e tem a direção artística de Esteban Gross, direção de coreografia de César Rocafi e a direção de produção de Célia Rafael e de Gustavo Nunes.
Ao ser questionado se vale chorar e se emocionar, Gustavo Nunes responde: “Muito. É muito emocionante. Primeiro por estar ali com as crianças naquele momento especial; depois pela história, pelos personagens que cativam e pelo show como um todo, muito lindo também. Nossa intenção é proporcionar momentos felizes assistindo a um bom conteúdo no teatro. E, com certeza, Bluey é o convite perfeito para toda a família, garantindo um impacto positivo muito grande para a sequência da vida de todas as pessoas, influenciando a forma como os pais criam seus filhos e como se relacionam com as suas famílias”.
Calypso: - E todos eles viveram felizes para sempre. E, fim.
Bluey: - Por que as histórias sempre têm finais felizes?
Calypso: - Bom… é porque a vida já tem muitos finais tristes.
Você pode ouvir essa história na íntegra, com a participação de Gustavo Nunes, além de conhecer os próximos episódios da série Entre Linhas e Vozes no portal do Jornal O Serrano e no canal da Freestory no Spotify, clicando aqui.