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Henrique Vieira Filho é artista plástico, agente cultural (SNIIC: AG-207516), produtor cultural no Ponto de Cultura “ReArte” (Certificado Ministério da Cultura), Museólogo no Museu Rearte (reconhecido pelo IBRAM/Ministério da Cultura), gestor Pontos MIS (Museu da Imagem e do Som/SP), diretor de arte (MTE 0058368/SP), produtor audiovisual (ANCINE: 49361), escritor, jornalista (MTE 080467/SP), educador físico (CREF 040237-P/SP), psicanalista, sociólogo (MTE 0002467/SP), historiador, professor de artes visuais, pós-graduado em Psicanálise, em perícia técnica sobre artes e em Biblioteconomia.
Você sabia que ao lado da Fontana de Trevi havia um cinema? Mas calma, antes que você me pergunte: "Na Fontana daqui ou na da Itália?", eu respondo: Nas duas!
Pois é, a história adora uma rima poética. Tanto na Cidade Eterna quanto na nossa "Cidade das Águas", os cinemas vizinhos às fontes não resistiram à concorrência das grandes redes e fecharam as portas. Ambos foram demolidos para dar lugar ao novo. Só que, em Roma, a picareta do operário bateu em algo mais que concreto: as escavações no antigo cinema revelaram o Vicus Caprarius, a "Cidade da Água".
Lá, no subterrâneo, descobriram as reservas de uma das fontes, moradias de nobres romanos e até uma hospedaria do tempo de Marco Agripa. Hoje, o local é um sítio arqueológico fascinante e, vejam só, conseguiram até reabrir um cinema por lá! Já aqui em Serra Negra, no nosso querido Cine Cardeal, creio que as escavações não vão encontrar nenhuma relíquia do Império Romano. O acordo judicial para a revitalização do local prevê um anfiteatro e estacionamento, mas, infelizmente, não há promessa de o cinema voltar para casa.
Bom, meus caros serranos amantes da sétima arte, não fiquem órfãos! A alternativa que temos (e gratuita, por sinal) é a parceria do Museu ReArte com o Museu da Imagem e do Som de SP, o Pontos MIS. E para abrir janeiro, escolhemos dois filmes que parecem ter sido escritos ontem, embora tenham quase um século.
O primeiro é "Metrópolis" (1927), de Fritz Lang. O filme projeta uma sociedade futurista onde a tecnologia é onipresente, mas a desigualdade é brutal: a elite vive nos jardins suspensos e os operários, robotizados, moram no subsolo. E aqui vem o "pulo do gato": sabe em que ano se passa o futuro distante e sombrio de Lang? No longínquo ano de 2026! Sim, o futuro do filme é o nosso agora. Olhando para as telas de nossos celulares enquanto a "desumanização" corre solta, fica a dúvida: será que Lang acertou em cheio ou quase?
Isso é um sinal dos tempos... dos "Tempos Modernos" (1936)! O clássico de Charles Chaplin também estará em cartaz na ReArte. Chaplin satiriza a mesma industrialização, mostrando o homem como uma peça de engrenagem. É impossível não rir (e chorar) com a cena dele sendo engolido pelas máquinas — uma analogia perfeita à "Máquina Moloch" de Metrópolis.
Seja no subsolo de Roma ou no Ponto de Cultura ReArte, o cinema nos lembra que, entre o "Cérebro" (a tecnologia) e as "Mãos" (o trabalho), o mediador deve ser sempre o Coração.
Venham conferir se o futuro de 1927 combina com o seu 2026. A entrada é franca, e a reflexão é por nossa conta!

